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Home Corporate Notícias A inteligência artificial ia acabar com os chefes intermédios. Afinal, tornou-os mais importantes

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A inteligência artificial ia acabar com os chefes intermédios. Afinal, tornou-os mais importantes

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10 Agosto, 2026 | 4 minutos de leitura

Durante anos, o argumento repetiu-se quase como uma inevitabilidade. Com a inteligência artificial capaz de distribuir tarefas, produzir relatórios, analisar desempenho e responder a perguntas em segundos, os gestores intermédios seriam uma das primeiras vítimas da automação. As organizações tornar-se-iam mais horizontais, as equipas mais autónomas e muitas decisões passariam a ser tomadas por algoritmos. Mas a realidade começa a seguir um caminho diferente.

Os primeiros estudos científicos realizados em ambiente empresarial mostram que a inteligência artificial está, sobretudo, a alterar a natureza do trabalho humano. E, nesse processo, está a devolver protagonismo a uma função que muitos consideravam condenada à irrelevância: a gestão intermédia.

Um dos exemplos mais sólidos surge de um estudo publicado na revista The Quarterly Journal of Economics, conduzido pelos economistas Erik Brynjolfsson, Danielle Li e Lindsey Raymond. Ao analisarem mais de cinco mil profissionais de apoio ao cliente que passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial generativa, os investigadores concluíram que a produtividade aumentou, em média, 15%, sendo os maiores ganhos registados entre os trabalhadores menos experientes. A IA funcionou como um acelerador da aprendizagem, difundindo boas práticas e reduzindo diferenças entre profissionais.

Contudo, o estudo deixa uma conclusão menos evidente. Quanto mais a IA assume tarefas rotineiras, maior passa a ser a importância de quem interpreta resultados, valida decisões, resolve exceções e garante que a tecnologia serve os objetivos da organização em vez de os substituir.

Menos supervisão, mais julgamento

A transformação não significa que os gestores façam mais do mesmo.  Se durante décadas a função de um chefe intermédio consistia em acompanhar equipas, distribuir trabalho ou controlar processos, a inteligência artificial está a deslocar essas responsabilidades para os sistemas automatizados.

O valor passa agora a residir noutras competências. Interpretar informação produzida por modelos de IA. Identificar enviesamentos. Decidir quando confiar numa recomendação automática e quando a contrariar. Gerir conflitos entre produtividade e ética. Garantir que as decisões continuam alinhadas com os objetivos da empresa.

Em vez de desaparecer, a chefia intermédia torna-se uma ponte entre dois mundos: o das pessoas e o dos algoritmos.

A IA não cria apenas eficiência. Cria profissões novas.

A mudança vai além da redefinição das funções existentes. À medida que as empresas incorporam inteligência artificial nos seus processos, começam também a surgir cargos que, há poucos anos, simplesmente não existiam.

Entre eles estão funções como AI Governance Officer, responsável por garantir a utilização responsável dos sistemas de IA; AI Operations Lead, que supervisiona a integração destas ferramentas nas operações; Model Auditor, dedicado à validação dos resultados produzidos pelos modelos; ou AI Trainer, cuja missão passa por melhorar continuamente o desempenho dos sistemas através da interação humana.

São profissões que dificilmente existiriam sem a disseminação da inteligência artificial e que ilustram uma tendência mais ampla: a tecnologia não elimina apenas trabalho. Também cria novas necessidades organizacionais.

Outro estudo do National Bureau of Economic Research conclui precisamente que, embora a IA ainda não tenha provocado alterações significativas nos salários ou nas horas trabalhadas, já está a reorganizar profundamente as tarefas desempenhadas dentro das empresas. Em vez de uma simples substituição de trabalhadores, observa-se uma redistribuição de responsabilidades, acompanhada pelo aparecimento de funções relacionadas com supervisão, integração e coordenação da inteligência artificial.

O gestor do futuro poderá liderar pessoas… e agentes de IA

Assim, a próxima geração de líderes dificilmente será avaliada apenas pela capacidade de gerir equipas humanas. Terá também de coordenar agentes de inteligência artificial, distribuir tarefas entre pessoas e sistemas automáticos, compreender limitações técnicas e garantir que a tecnologia aumenta a qualidade das decisões, sem comprometer a responsabilidade humana.

É uma mudança subtil, mas profunda. Durante décadas, as empresas perguntaram quantas pessoas precisavam para executar determinado trabalho. A inteligência artificial está a substituir essa lógica por outra: quais são as capacidades exclusivamente humanas que continuam a criar valor. Nesse novo paradigma, o gestor intermédio deixa de ser apenas um supervisor. Passa a ser o profissional responsável por decidir onde termina a competência da máquina e onde começa, inevitavelmente, o julgamento humano.

Redação,
Equipa editorial Líder

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