David Simas, Presidente da Fundação Obama, pôs a plateia a aplaudir de pé na Leadership Summit Portugal, no Casino Estoril, ao contar a sua experiência como emigrante nos EUA e ao serviço do Presidente Barack Obama. Durante a sua talk, partilha a primeira vez que entrou na Casa Branca. Conduzido por um Fuzileiro até à […]
David Simas, Presidente da Fundação Obama, pôs a plateia a aplaudir de pé na Leadership Summit Portugal, no Casino Estoril, ao contar a sua experiência como emigrante nos EUA e ao serviço do Presidente Barack Obama.
Durante a sua talk, partilha a primeira vez que entrou na Casa Branca. Conduzido por um Fuzileiro até à apelidada “Sala de Situação”, onde um grupo de pessoas todos os dias da semana, 24 horas ao dia, analisa “estados de sítio” em várias zonas do País. «A violência já fazia parte da condição humana, Barack Obama sabia-o e já tinha essa preocupação», chama a atenção o luso-descendente, que fez parte da administração na Casa Branca durante a presidência de Obama, como Assistente Adjunto do Presidente em 2009, e durante a campanha de reeleição foi diretor de Pesquisa de Opinião. O regresso à Casa Branca garantiu-lhe a posição de Adjunto do Presidente e Diretor do Gabinete de Estratégia Política e Relações Externas.
Licenciado em Ciência Política no Stonehill College e doutorado na Faculdade de Direito de Boston, Simas acredita no investimento e desenvolvimento de lideranças para um mundo melhor. O líder da Fundação Obama tem como principal missão investir nas novas gerações e no seu poder cívico.
«Temos a responsabilidade de não perder a Humanidade»
Quando fala em líderes refere-se a todos os cidadãos, são eles que têm poder na comunidade. «Enquanto cidadãos tomamos todos os dias decisões, relativamente ao que compramos e no que investimos. Com a paz é igual».
Mas quando dá exemplos concretos é a Barack Obama e aos pais que vai buscar inspiração. «Desde cedo que Obama está atento e explica a constante procura pela paz. Deve ser esta a missão de um líder. Temos essa responsabilidade, não perder a Humanidade que nos é querida», explica num crescendo de admiração pelo ex-presidente dos EUA, que ganhou inclusivamente o Prémio Nobel da Paz em 2009, num período em que o país estava envolvido em várias intervenções militares.

«É muito importante o que os pais fazem pelos filhos, como vi os meus pais fazerem por mim. O meu pai disse-me: “A vida de um emigrante é difícil e de muito sofrimento. Mas sempre com o pensamento que a vida do meu filho vai ser melhor”. Sou filho de pai açoreano e mãe alentejana, quando os meus pais me visitaram na Casa Branca, Barack Obama foi recebê-los à porta e agradecer diretamente aos meus pais pelo filho estar ao serviço dos EUA». Um gesto de verdadeiro respeito por parte do presidente. «Isto é liderança, isto é paz. O que se pode dizer a duas pessoas com a 4.ª classe? É respeitá-los e perceber que eles são os líderes da Democracia».
Para Simas, a Democracia é a expressão derradeira de autodeterminação e de liberdade. «Em Democracia quais são os nossos valores? Quais os princípios a que devemos ser consistentes? «A Democracia para mim é estar na terra dos meus pais. Em 1974, lembro-me bem da beleza da Democracia».
Sob o mote “A paz enquanto desafio para todos os líderes”, o Presidente da Fundação Obama deixa conselhos muito concretos: «O desafio da paz começa com o desafio de quem sou. Não podemos liderar os outros sem nos liderarmos a nós próprios. Quais são os nossos preconceitos, os nossos gatilhos, se somos levados pelo ego ou pelo prestígio não vai funcionar. A liderança verdadeira leva-nos à lente da generosidade e a colocarmo-nos na perspetiva do outro. Isto é uma noção fundamental de liderança. Este é o ponto de partida. Em segundo, não se deve dizer o que os outros devem fazer, deve-se envolver as pessoas. A verdadeira expressão de um líder é perceber que o que temos em comum é muito mais do que o que nos separa. Pela primeira vez temos um chamamento pela paz e de nos centrarmos em cada ser humano».
Falou também da importância de pensarmos em ações consequentes, de não deixarmos de parte os direitos humanos e aproveitarmos a altura certa.
E encerrou a sua intervenção com mais uma história marcante: Nelson Mandela perante uma plateia de 50 mil pessoas disse que «a mudança não acontece se esperarmos por uma pessoa e um momento. Nós somos a mudança».
Assista à talk de David Simas, e a todas as intervenções da Leadership Summit Portugal 2022, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS, a partir do dia 14 de outubro.


