Luís Portela é Presidente da Fundação Bial, instituição com mais de 30 anos, que já apoiou cerca de 850 projetos de investigação na área das Ciências da Saúde, e também atribuiu bolsas de investigação na área da Parapsicologia.
Definindo-se como um «homem da ciência», o interesse pela espiritualidade começou ainda jovem, por volta dos 13 anos. E as questões desse tempo, de alguma forma, ainda hoje se mantêm: «a maior questão era achar que, do ponto de vista da fé, as pessoas aceitam mais do que o que lhes é dito».
Na altura em que se licenciou em Medicina, estudar a relação entre o que é fisiológico e o que é psicológico, era algo inexistente em Portugal. Mesmo assim conseguiu, em Inglaterra, fazer o doutoramento em Psicofisiologia.
De forma clara e aberta, fala sobre a espiritualidade sob o olhar da Ciência, e de como um líder pode, e deve ter uma dimensão espiritual. Este foi o ponto de partida para mais um Encontro de Conselheiros da Líder, no passado mês de abril, na Casa-Museu Igrejas Caeiro, no Alto do Lagoal, em Caxias (Oeiras).
«Todos temos um sexto sentido»
Na sua exposição, mostrou três tipos de investigação e respetivos resultados em Parapsicologia, nas áreas de Telepatia, Experiências de quase morte e Relatos de vidas passadas.
«Isto é ciência», refere sem deixar de mencionar que falta dar continuidade à investigação para obter mais evidência. E essa investigação deve ser conduzida de forma autêntica – «mostrar a verdade pela verdade», com desprendimento – «não é para procurar benefícios materiais», simplicidade e utilidade.
Contudo, hoje existe um consenso, que traz uma alteração de paradigma. A mediunidade, na sua perspectiva, é uma capacidade ao alcance de todos, e não um dom. «Todos nós temos um sexto sentido», partilha.
«O ser humano é uma alma revestida por um corpo, e não um corpo animado por uma alma»
Com esta frase do pensador Harvey Spencer Lewis, Luís Portela partilha uma imagem concreta – a de sermos «uma partícula de energia», que temporariamente anima um corpo físico. E ao assumir esta visão mais abrangente, veem-se as coisas para além do material.
A ponte entre a ciência e o consciente foi sendo construída pela Física Quântica. As mais pequenas partículas de matéria, como os quarks, neutrões, eletrões, são constituídas por energia, na forma de filamentos vibráteis. Quando vibram lentamente constituem objetos sólidos, e quando vibram intensamente, constituem objetos, corpos sem massa, ou corpos diáfanos – «eventualmente, a alma», afirma.
Nessa premissa, «todos estamos capazes de tocar os outros, de influenciar e de nos influenciarem». Seres humanos, animais e plantas, partículas de energia «entrelaçadas num Universo».
Ao propor essa noção de energia, ao nível dos pensamentos, vai-se admitindo que todos nós, ao pensarmos, emitimos algum tipo de radiação. O que explica falar de «pessoas com energia negativa, positiva» e as «pessoas tóxicas».
Para Luís Portela, «somos os verdadeiros responsáveis por aquilo que pensamos», no limite afirma: «somos até responsáveis por tudo aquilo que nos acontece». A ‘trajetória evolutiva’ é o trajeto de vida ‘terrena’, enquanto partícula de energia, que se faz com esforço para manter o foco e os pensamentos positivos – num método de auto-aperfeiçoamento.
Pequenas lições de espiritualidade
No aspeto prático do cruzamento entre a Ciência e a Espiritualidade, e com a Liderança, há alguns passos que se podem dar. Luís Portela partilha algumas ideias para uma boa ‘higiene mental’:
- Fazer as coisas de uma forma correta, «porque percebemos o prazer de fazermos as coisas bem, de realizarmos as coisas bem e o prazer do comportamento equilibrado»;
- Cultivar o auto conhecimento «de uma forma útil para o próprio e para os outros»;
- Técnicas de relaxamento, nomeadamente a meditação – «eu gosto muito de me procurar e encontrar pelo meio do silêncio»;
- Fazer uma, a duas paragens, por ano e fazer um exercício de tentar perceber o nosso propósito – «o que é que eu ando a fazer? como é que eu consigo ser mais completo e verdadeiramente feliz?»;
- Diariamente reservar 10 a 15 minutos para verificar se nas últimas 24 horas, fez-se o mais conveniente e questionar o que pode ser melhorado.
«Um líder, um gestor, é em primeiro lugar um ser humano. Somos todos iguais na essência. Não temos o direito de olhar para alguém de cima para baixo», afirma peremptoriamente.
A Ciência demonstra-o, tal como os grandes mestres espirituais, Jesus, Buddha, Confúcio ou Lao Tsé o afirmaram. «Devemo-nos olhar de uma forma horizontal, com respeito, com espírito de tolerância, aceitando-nos e procurando conciliar as coisas e encontrar soluções», partilha.
Uma boa gestão, para ter bons resultados, deve ser profissional, com base num planeamento adequado, suportada por uma equipa, mas a ética e o olhar sobre o outro, são cruciais.
Um líder deve «fazer as coisas com competência, disponibilidade, dedicação, e com paixão», e assim «o bem» é feito com harmonia e naturalidade. Quando se vai mais longe do que era sonhado ou idealizado, tal acontece porque «sintonizamos com a vida» e com as «forças positivas». E nessas situações, sentimo-nos bem e somos felizes.
Não estou a falar de uma felicidade de acumular, de ter, de guardar. A felicidade não está na sua busca, mas na realização, de coisas bonitas e úteis, para nós e para os outros. A felicidade não está tanto em colher, está muito mais em semear. Não está tanto em receber, está muito mais em dar. Em dar-nos aos outros, em darmo-nos
Sintonizar com a Sabedoria Universal
Essa postura implica estar menos concentrado em si próprio e em vermo-nos como «uma partícula que é parte integrante de um todo, que avança em conjunto». «E vamos tendo um prazer imenso de poder contribuir, à nossa maneira, para que esse conjunto, esse todo, avance», reitera.
No entanto, muitas vezes andamos assoberbados em muitas coisas e desligamo-nos dessa harmonia e vivemos em conflito com os outros, com os nós próprios. Quando tal acontece, Luís Portela aconselha aos 15 minutos diários de meditação ou um tipo de pensamento consciente e focado.
Uma sintonia que se vai aprendendo a fazer, que se faz de uma forma progressiva, inicialmente durante alguns minutos, até que depois se alarga, «até se poder viver permanentemente em si mesmo».
«É um caminho possível», advoga como uma partícula que integra um último patamar de Inteligência e Sabedoria Universal. «Eu sou uma partícula de amor. Eu sou amor», conclui.
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