A entrada em vigor da Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) está a levar cada vez mais empresas a quantificar o impacto ambiental das suas atividades de comunicação. A DAAR desenvolveu uma metodologia que permite calcular a pegada carbónica de campanhas, websites, eventos, redes sociais ou 'merchandising', respondendo às novas exigências de reporte e das cadeias de valor.
À medida que a sustentabilidade deixa de ser apenas um objetivo reputacional para passar a integrar os critérios de gestão e competitividade, as empresas enfrentam um novo desafio: medir o impacto carbónico da comunicação.
De facto, numa PME com atividade regular, a comunicação pode representar até 20% da pegada carbónica total da empresa, correspondendo a emissões anuais estimadas entre uma e cinco toneladas de CO2.
Estes números são partilhados pela consultora DAAR, que desenvolveu o Balanço Carbónico da Comunicação, uma metodologia que permite calcular as emissões de CO2 e associadas às atividades de comunicação das organizações, transformando uma dimensão até agora pouco quantificada em informação útil para processos de reporte, auditorias e estratégias ESG.
Segundo a empresa, a metodologia assenta na recolha de dados reais da atividade de comunicação, complementados por benchmarks documentados, permitindo identificar as principais fontes de emissão e projetar o impacto anual da comunicação da organização. Entre as fontes consideradas encontram-se emails, websites, redes sociais, produção audiovisual, materiais impressos e eventos.
Inspira-se ainda em referências internacionais como o GHG Protocol, a ISO 14064 e iniciativas setoriais como a Ad Net Zero, embora a DAAR sublinhe que não se trata de uma certificação ESG formal, mas sim de uma ferramenta independente de medição e melhoria.
A comunicação também tem uma pegada carbónica
A entrada em vigor da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) está a alterar profundamente a forma como as organizações recolhem e reportam informação ambiental. A nova diretiva europeia obriga um número crescente de empresas a apresentar dados mais detalhados sobre as suas emissões, incluindo as associadas à cadeia de valor, conhecidas como Scope 3.
Neste contexto, a comunicação surge como uma das áreas menos monitorizadas, apesar de gerar emissões através de atividades como campanhas digitais, websites, redes sociais, newsletters, publicidade, eventos, produção gráfica ou merchandising.
CSRD e Scope 3 aumentam pressão sobre fornecedores
Embora muitas pequenas e médias empresas ainda não estejam diretamente abrangidas pelas novas obrigações de reporte, a realidade está a mudar rapidamente. À medida que as grandes organizações começam a reportar toda a cadeia de valor, cresce também a exigência sobre fornecedores, parceiros e prestadores de serviços para disponibilizarem dados ambientais fiáveis.
É precisamente neste contexto que a comunicação ganha relevância. Segundo a DAAR, muitas empresas começam a ser questionadas pelos seus clientes sobre o impacto ambiental dos serviços que prestam, tornando a disponibilidade destes indicadores um novo fator de competitividade.
«A questão deixou de ser apenas comunicar bem. Muitas empresas começam agora a perceber que terão também de demonstrar o impacto ambiental da forma como comunicam. Quanto mais cedo conhecerem essa realidade, mais preparadas estarão para responder às exigências dos seus clientes e parceiros», afirma Pedro Graça, fundador da DAAR.
Comunicação pode representar até 20% da pegada de uma PME
Depois de medir, é possível compensar
Após identificar as emissões, as empresas podem optar por compensá-las através da aquisição de créditos de carbono certificados, recorrendo ao Mercado Voluntário de Carbono da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Segundo a empresa, o objetivo passa por ajudar as organizações a transformar uma área até agora invisível numa informação objetiva, verificável e útil para a gestão, reforçando simultaneamente a sua capacidade de responder às novas exigências regulatórias e às expectativas dos clientes.


