Francisco Pinto Balsemão, fundador do Grupo Impresa, e antigo primeiro-ministro, morreu ontem aos 88 anos. Indubitavelmente uma das figuras mais marcantes da democracia e imprensa portuguesa, o seu legado deixa uma marca no jornalismo e na vida política em Portugal.
Foi um dos fundadores do PPD (atual PSD), juntamente com Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota. Em 1980, Francisco Pinto Balsemão assume o cargo de ministro de Estado Adjunto do primeiro-ministro. Na sequência da trágica morte de Sá Carneiro, é chamado a liderar os destinos do país, chefiando, entre 1981 e 1983, os VII e VIII Governos Constitucionais.
Numa entrevista publicada na Revista Pessoal – antiga publicação da Revista Líder – contou um pouco da sua experiência nesses meandros. «Havia, antes do mais, a causa da Democracia e eu combati por ela antes do 25 de Abril, nomeadamente quando integrava a chamada Ala Liberal, na então Assembleia Nacional. Depois do 25 de Abril, foi necessário atravessar e ultrapassar um período de transição. Os militares tinham feito a revolução e era, por isso, necessário e justo conceder-lhes ou partilhar com eles uma parte do poder – daí o conselho de Revolução ter sido consagrado, na Constituição de 1976, como órgão de soberania», contou, em 2014.
Durante este período, desempenha um papel determinante na preparação da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), destacando-se pela revisão constitucional de 1982, que viria a abrir caminho à modernização do Estado e à consolidação democrática. «[Nesse ano], quando eu era Primeiro-ministro, procedeu-se à primeira revisão da Constituição que acabou com o Conselho da Revolução. Só nessa altura Portugal se transformou numa verdadeira Democracia», contou.
Para além do seu percurso político, foi no jornalismo que deixou uma das suas heranças mais duradouras. Fundou, em 1973, o semanário Expresso, que se tornaria rapidamente uma referência de independência editorial e rigor jornalístico. Mais tarde, liderou a criação da SIC — a primeira estação de televisão privada em Portugal —, revolucionando o panorama mediático e dando origem ao Grupo Impresa, hoje um dos maiores grupos de comunicação do país.
Defensor convicto da liberdade de imprensa e da autonomia editorial, Pinto Balsemão ocupou cargos de grande prestígio também a nível europeu, como presidente da Associação Mundial de Jornais e da European Publishers Council.
Imagem de destaque: Grupo Impresa


