De acordo com o Global Gender Gap Report, recentemente publicado pelo World Economic Forum (WEF), o progresso para alcançar a igualdade de género parou – e em alguns casos foi até revertido – devido à Pandemia causada pelo COVID-19. Um ano após a declaração da OMS de um estado mundial de Pandemia, a 15.ª edição […]
De acordo com o Global Gender Gap Report, recentemente publicado pelo World Economic Forum (WEF), o progresso para alcançar a igualdade de género parou – e em alguns casos foi até revertido – devido à Pandemia causada pelo COVID-19.
Um ano após a declaração da OMS de um estado mundial de Pandemia, a 15.ª edição do relatório refere que “A emergência sanitária e a respetiva desaceleração económica afetou mais as mulheres do que os homens, reabrindo lacunas que já haviam sido fechadas”.
Analisando 156 países, o relatório considera quatro índices relativos à igualdade de género: empoderamento político; oportunidade e participação económica; saúde e sobrevivência e realização académica.

A pontuação do Global Gender Gap em 2021 é de 67,7%, mas se tivermos em conta apenas os 107 países considerados continuamente desde 2006 até 2021, o valor exato é de 68%. Isto significa que ainda existe um intervalo de 32,3% para que se atinga uma igualdade total. Dos 153 países considerados neste relatório, 98 melhoraram a sua pontuação, enquanto 55 regrediram ou estagnaram. Portugal subiu 13 lugares, classificando-se agora em 22.º posição, depois de ter ocupado o 35.º lugar na classificação anterior, com uma percentagem de igualdade de género nos 77,5%.
Embora nenhum país tenha atingido a meta dos 100%, o top 10 global continua a ser dominado pelos países nórdicos, em que a Islândia atinge os 89%:
- Islândia
- Finlândia
- Noruega
- Nova Zelândia
- Suécia
- Namíbia
- Ruanda
- Lituânia
- Irlanda
- Suíça
À medida que os confinamentos encerravam vários setores, como o do Hotelaria, Restauração e Turismo, onde há mais mulheres a trabalhar do que homens, a desvantagem foi evidente com muitas mulheres a assumir o trabalho não remunerado, na assistência aos filhos e apoio na escola virtual.
Já em março de 2021, a Organização Women 20 (W20), em parceria com a Accenture Research, publicou um estudo em que mostra como a COVID-19 teve um impacto diferenciado em homens e mulheres.
Klaus Schwab, Fundador e Presidente Executivo do WEF afirma “Os líderes têm a oportunidade de construir economias mais resilientes, respeitando a igualdade de género, através da criação de sistemas de cuidados e apoios mais equitativos que irão encorajar as mulheres, com base no seu potencial, a fazer a transição para novas funções. A igualdade de género pode ser incorporada na forma como vamos trabalhar no futuro.”
Aqui ficam 7 das principais conclusões do Relatório:
- Apenas 68% do caminho para uma igualdade de género global está concluído
Este número representa um retrocesso de 0,5% em relação a 2020. Na atual trajetória serão necessários 135 anos para eliminar a disparidade a nível mundial, mais 36 do que era previsto no ano passado.
- Há mais mulheres na política em 98 países
Há agora mais mulheres no parlamento em mais países, como a Bélgica e o Togo a elegerem pela primeira vez uma mulher para o cargo de Primeiro-Ministro. Porém, o empoderamento político é ainda a maior disparidade entre homens e mulheres – com um alcance total de apenas 22%, menos 2,4 pontos percentuais em relação a 2020.
- São precisos mais de 250 anos para atingir uma igualdade económica
O relatório aponta especificamente para 267, 6 anos. Relativamente ao índice “oportunidade e participação económica”, o intervalo foi encurtado em apenas 58% no índice total dos países observados, correspondendo a uma “melhoria marginal” desde a edição do ano anterior.

- 30 Países alcançaram a paridade na realização académica
Juntamente com “saúde e sobrevivência”, este é o índice onde existiu mais progresso. 30 países já eliminaram completamente as disparidades nos aspetos relacionados com a realização académica (literacia, escolaridade, nível de ensino superior), com 95% do índice alcançado a nível global. As projeções do WEF preveem que irá demorar mais de 14 anos para atingir os 100%.
No índice “saúde e sobrevivência”, 96% da disparidade entre os géneros foi eliminada. Aqui surge o número sempre curioso da existência de mais homens do que mulheres no mundo – com a China e a Índia a representam cerca de 90% a 95% da estimativa de 1,2 a 1,5 milhões de mulheres a menos nos nascimentos anuais em todo o mundo, em resultado de práticas seletivas na definição do sexo dos bebés. O número estimado de “mulheres desaparecidas” foi de 142 milhões em 2020, duas vezes mais do que em 1970. Numa nota mais positiva, relativamente à esperança média de vida, há quase uma paridade de género na maioria dos países incluídos no relatório.
- 41% dos profissionais em cargos de chefia são mulheres
Apenas 22 países eliminaram em pelo menos 80% a lacuna entre géneros na ocupação de cargos de chefia – e no lado oposto, há 20 países onde essas desigualdades representam 80% do tecido laboral, em iguais cargos. A barreira invisível de progressão de carreira, o chamado “teto de vidro”, persiste em algumas das economias mais avançadas, como os EUA, Reino Unido, Itália e Holanda.
- 5% das mulheres ficaram desempregadas durante a Pandemia
Este número é visto em comparação com 3,9% dos homens, de acordo com as primeiras projeções da Organização Internacional do Trabalho, que analisou o impacto da Pandemia COVID-19 nas desigualdades entre homens e mulheres, no que respeita à participação económica.

- As mulheres representam apenas 14% da força de trabalho na área de Cloud Computing
Em profissões ligadas à tecnologia mais emergente persistem as desigualdades. O WEF em colaboração com o Linkedin Economic Graph examinou oito mercados de trabalho em rápido crescimento. Em apenas dois existia uma paridade de género, enquanto as desigualdades acontecem com maior prevalência em campos que requerem capacidades técnicas mais disruptivas. Segundo o relatório, a participação das mulheres no Cloud Computing é de apenas 14,2%.


