O Cancelamento do Ocidente é o título de um livro de Paulo Nogueira, acabado de publicar pela Guerra e Paz. É um livro que merece ser lido por três razões. Primeira razão: porque ajuda a desmontar os argumentos de que tudo está errado com o ocidente. Obviamente há muita coisa errada neste bocado não geográfico do mundo, mas isso não o torna diferente dos outros. O que aqui tem acontecido de mal não é único nem muito diferente de outros males. Como tal, talvez seja tempo de contrariar estas “narrativas” de permanente autoflagelação.
Em segundo lugar, o livro ajuda a mostrar com as diferentes secções da macro-narrativa se intersetam. No final todas vão dar aos malefícios desse sistema capitalista que todos adoram detestar mas do qual acabam por tirar benefícios. Na cabeça de um anticapitalista fugido a uma ditadura não passa pela cabeça procurar refúgio num qualquer paraíso anticapitalista…
Finalmente, este livro é um grito de liberdade. Felizmente ainda há autores a escrever estas coisas e editores a publicá-las. Enquanto assim for, há esperança de que esta moda acabe por passar e dar lugar a visões mais equilibradas da realidade, nas quais os factos são factos e não ângulos de observação. Como explica Nogueira, nem o pós-modernista mais convicto pode deixar de aceitar, a 9 mil metros de altitude, que o avião voa porque os engenheiros fizeram bem as contas. No mundo social, as interpretações podem variar, mas os factos continuam a sê-lo. Por exemplo: a Rússia invadiu a Ucrânia. É um facto. Mas um dia, mesmo os mais lunáticos defenderão que isso nunca aconteceu. Vivemos bem com esse ‘facto’ desde que os negacionistas das realidades não suplantem as pessoas que não aceitem trocar a realidade dos factos pela beleza das crenças – à prova de factos.
PS É um grato prazer reencontrar a escrita de Paulo Nogueira que comecei a acompanhar no bom velho Independente. É outro grato prazer reencontrar José Quitério. Comecei a ler as suas críticas de restaurantes no Expresso sabendo não ter tempo nem dinheiro para frequentar os restaurantes que ele visitava. Mas a sua escrita, meu Deus, era uma delícia….