A inteligência artificial já não é só uma promessa do futuro; é o presente na experiência de milhões de adeptos de desporto. O novo estudo Beyond the game: The new era of AI-powered sports engagement, do Research Institute da Capgemini, revela que mais de metade dos fãs portugueses (54%) já usam IA ou IA generativa […]
A inteligência artificial já não é só uma promessa do futuro; é o presente na experiência de milhões de adeptos de desporto. O novo estudo Beyond the game: The new era of AI-powered sports engagement, do Research Institute da Capgemini, revela que mais de metade dos fãs portugueses (54%) já usam IA ou IA generativa (GEN AI) para obter conteúdos e dados personalizados — ultrapassando motores de busca e redes sociais como principal fonte de informação.
Mas este avanço vem com um desafio complexo: conciliar tecnologia de ponta com a autenticidade, a emoção viva e palpável que só o desporto ao vivo sabe oferecer.
A nova era da experiência desportiva: inteligência artificial em foco
Hoje, a IA não é mais um simples assistente digital — é um protagonista ativo na forma como os adeptos vivem e respiram desporto. De resumos personalizados a destaques em tempo real, de análises estatísticas a cenários hipotéticos que fazem sonhar, as ferramentas de IA são cada vez mais imprescindíveis.
Segundo o estudo, 67% dos adeptos querem um único ‘hub’ onde possam encontrar todos os dados desportivos, um espaço que agregue conteúdos dispersos por websites, motores de busca e redes sociais.
E não é só quantidade, mas qualidade e interatividade: 64% desejam que a IA lhes entregue informação atualizada e feita à medida do seu gosto. E mais — a tecnologia permite criar pontes entre fãs e atletas, com 59% a confiarem já nos conteúdos gerados por IA.
Um dado curioso: 58% gostariam de poder rever jogos em «cenários e se…» simulando alternativas e desfechos, e 27% admitiram que pagariam para terem acesso a este tipo de experiências interativas. A exemplo do Tour de France, onde a IA já permite acompanhar uma equipa Fantasy em tempo real, votar no ciclista mais agressivo e sentir a corrida quase de dentro do carro oficial.
Para Pascal Brier, Chief Innovation Officer da Capgemini, o futuro está na combinação entre dados em tempo real e experiências imersivas que aprofundem a ligação emocional entre os adeptos e o desporto, sem perder a essência do jogo.
O equilíbrio delicado entre inovação e emoção
Se a digitalização avança a passos largos, a emoção e a autenticidade continuam a ser o verdadeiro motor do desporto. Os adeptos estão sedentos de dados, mas sobretudo nos momentos certos: antes dos jogos e durante os intervalos, quando cerca de 70% querem consultar estatísticas, condições do jogo e outras métricas que os ajudem a compreender melhor o que está a acontecer.
Porém, quando a bola está a rolar, a preferência é pela experiência sem distrações digitais. Quase 60% dos adeptos receiam que a tecnologia em excesso possa roubar o encanto do desporto ao vivo, tornando-o menos emocionante e autêntico. Mais da metade teme que o uso excessivo de IA possa mesmo diminuir o prazer de assistir aos eventos.
Este receio reforça a necessidade de um caminho equilibrado: tecnologia para potenciar a experiência, não para a sobrepor. Um desafio que promete ser um dos maiores debates no futuro próximo do setor.
A privacidade e o risco da desinformação na era da IA
Nem tudo são facilidades nesta nova revolução digital. A questão da privacidade dos dados preocupa — especialmente as gerações mais velhas. Embora metade dos jovens das gerações Y e Z saiba que dados são recolhidos e consinta nesse armazenamento, apenas cerca de 38% dos baby boomers estão informados e confortáveis com este processo.
Além disso, dois terços dos adeptos admitem estar preocupados com a disseminação de conteúdos falsos ou não verificados nas plataformas de IA, o que pode levar a ataques injustificados contra atletas ou a informações erradas sobre equipas. A desinformação digital é um perigo real que acompanha esta nova era tecnológica e que obriga a uma regulação e vigilância apertadas.
Estádios conectados: a tecnologia ao serviço do adepto
Na resposta a estas novas expectativas, os operadores de estádios apostam fortemente em tecnologia para criar experiências mais fluídas e imersivas. Mais de metade dos inquiridos afirma que apps para compra e gestão de bilhetes, programação em tempo real e informações instantâneas melhoram significativamente a experiência no local.
Funcionalidades como o reconhecimento facial na entrada e a navegação digital dentro do estádio estão a ganhar popularidade e a redefinir o que significa ir ver um jogo ao vivo em pleno século XXI.
Conclusão: o futuro do desporto é híbrido
O desporto está a entrar numa nova era, em que a inteligência artificial é muito mais do que uma ferramenta — é uma extensão da paixão dos adeptos. Contudo, a maior lição deste estudo da Capgemini é clara: a tecnologia deve servir o desporto e as emoções, nunca substituí-las.
Seja no ecrã ou no estádio, os adeptos exigem conteúdos personalizados, dados em tempo real e experiências interativas — mas também autenticidade, calor humano e a emoção inigualável do jogo ao vivo.
E é neste fio ténue, entre o digital e o palpável, que o futuro do desporto se irá escrever.



