Na Leadership Summit Portugal, o neurocientista e sócio da Cuboo, Eduardo Soley, trouxe ao palco uma lição de persistência, humanidade e propósito. O seu discurso começou com um número que parecia apenas simbólico: 999. Mas rapidamente se tornou o fio condutor de uma reflexão profunda sobre o que significa liderar na era da complexidade.
Para o neurocientista, o quotidiano de quem lidera é uma sucessão de decisões e pressões — e-mails, noites mal dormidas, responsabilidades sem mapa claro — que podem facilmente transformar a liderança numa jornada solitária.

«Fomos ensinados a ser invulneráveis», afirmou. «A acreditar que não podemos mostrar fraqueza. Mas é precisamente quando deixamos cair a capa do super-herói que começa a verdadeira liderança.»
Soley recorreu ao conceito de game-based learning, aprendizagem através de jogos, que utiliza nas empresas como ferramenta de desenvolvimento humano. «Todos os dias levamos jogos para dentro das organizações. E ali, ligamos chaves importantes, porque os jogos conectam com o coração», explicou.
O método, garante, permite «humanizar» as dinâmicas corporativas, criando espaços seguros onde as pessoas podem errar, experimentar e crescer. «Não se trata de tecnologia de ponta. Trata-se de olhar para o indivíduo. O game-based learning faz-nos lembrar que, antes de líderes, somos humanos.»
As cinco lições da humanidade
Do trabalho que desenvolve nas empresas, Eduardo Soley retirou cinco grandes lições sobre liderança, sustentadas pela neurociência e pela experiência prática.
A primeira é a coragem de ser humano. «Não há conexão com o super-herói de mármore», disse. «Enquanto os líderes não perceberem que, antes de tudo, são humanos, nada acontece. Seremos empresas insustentáveis.»
A segunda é a empatia que se sente. O neurocientista recordou que o cérebro humano foi programado para se conectar. «Temos neurónios-espelho, somos biologicamente desenhados para sentir o que os outros sentem.»
Em terceiro lugar, o feedback como presente. Quando dado de forma construtiva, explicou Soley, ativa o circuito da dopamina — o mesmo que desperta motivação e recompensa. «É papel do líder capacitar-se para dar feedbacks que inspiram e fortalecem, não que intimidam.»

A quarta lição é a colaboração pelo respeito. «Chegámos até aqui pela colaboração», disse. «Quando cooperamos, o cérebro liberta ocitocina, reduz o stress e abre espaço à confiança.»
Por fim, a criatividade na segurança. «Ambientes saudáveis e controlados libertam o cérebro do modo de sobrevivência e ativam o modo de inovação», explicou. «Criar segurança é criar espaço para a imaginação florescer.»
A coragem, a empatia, o feedback, a colaboração e a criatividade nascem todas de um mesmo lugar: a humanidade.
A promessa e o dia um
Ao encerrar, Eduardo Soley regressou ao número inicial: 999. Era o número de dias consecutivos em que tinha treinado — sem falhar, desde 1 de janeiro de 2023. «Amanhã cumpro mil dias. Faça chuva, faça sol, com dor, com medo, com sono. E não interessa, porque esse é o meu compromisso comigo mesmo», revelou.
Mas, sublinhou, a verdadeira mensagem não era sobre treino físico. «Tudo o que falámos hoje, liderança, empatia, consistência, só acontece se tivermos isso: consistência.»
Porque, como concluiu o neurocientista, «os mil dias começam sempre com o primeiro» — e é nesse primeiro passo que a liderança humana se transforma em legado.
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Eduardo Soley – Game-Based Learning Aplicado ao Desenvolvimento de Human Skills
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