Antes de me debruçar sobre esta analogia na qual comecei recentemente a pensar, gostaria de dizer que esta espécie de “ode” às mães-líderes que neste artigo pretendo fazer em nada significa que estas sejam melhores líderes do que mulheres/homens que não sejam pais. Estes últimos terão, certamente, outras experiências de vida que os ajudarão nessa […]
Antes de me debruçar sobre esta analogia na qual comecei recentemente a pensar, gostaria de dizer que esta espécie de “ode” às mães-líderes que neste artigo pretendo fazer em nada significa que estas sejam melhores líderes do que mulheres/homens que não sejam pais. Estes últimos terão, certamente, outras experiências de vida que os ajudarão nessa jornada de capacitar equipas possibilitando-as a serem melhores todos os dias.
Ressalvas à parte, e a propósito do Dia da Mãe, dei por mim a pensar sobre a interseção que existe entre ser mãe e ser líder de equipas. A verdade é que, enquanto alguns podem considerar que esses dois papéis estão diametralmente separados, há uma série de paralelos entre as competências exigidas em ambas as funções.
Sou mãe de três e lidero uma equipa de nove, e tenho tido a sorte de observar e perceber como as experiências da maternidade me têm ajudado a aprimorar as minhas habilidades de liderança de maneira interessante. Alguns dados apenas para contexto: há 12 anos entrei na LLYC, há 6 anos fui mãe pela primeira vez (e enquanto estava grávida fui promovida), há 4 anos pela segunda e há 1,5 ano pela terceira (onde também, durante essa gravidez, fui promovida à atual função que desempenho).
Um dos paralelos mais marcantes que senti com o aumento da minha família a par com o meu próprio desenvolvimento profissional foi a necessidade de gerir eficazmente o tempo. Eu costumo dizer que, para além de Diretora de Clientes, sou também co-CEO da minha empresa familiar: na qual conto com o meu braço direito (leia-se o meu marido), uma colaboradora full-time que me ajuda na operação diária (vamos manter “colaboradora”) e três estagiários que exigem muita formação (acho que se percebe quem são). E foi desde logo que, com a definição – e sucessivas redefinições ao longo do tempo – dessa operação diária familiar que percebi quantas habilidades estava a adquirir e a transpor para o meu dia-a-dia profissional. Tanto uma como a outra função requerem habilidades de priorização e organização essenciais para que todas as tarefas em curso sejam concluídas de uma forma eficaz.
Outro dos paralelos que descobri prende-se com a capacidade de comunicar de forma correta e assertiva. Grande parte do meu tempo enquanto mãe é a explicar-lhes o porquê de não fazerem determinada coisa de determinada forma ou, simplesmente, o porquê das coisas. Porque as crianças são exigentes – mas precisam também de saber/perceber para se desenvolver – tenho de refletir sempre na melhor forma de adequar a minha explicação ao nível em que estão para apreender a mensagem. A minha filha de 6 anos está num nível de desenvolvimento e capacidade de reter conhecimento diferente do de 4 e, naturalmente, da de 1,5.
Ora, isto não vos soa familiar, se pensarmos no campo das organizações? Para mim foi natural esta conclusão de que o facto de precisar de explicar regras e passar conhecimento em casa – ao mesmo tempo que transmito empatia e apoio de maneira consistente – estaria relacionado com o facto de ter de ser capaz de comunicar metas, expetativas e dar feedback de forma clara e construtiva, sempre adequando à função que cada um desempenha, em ambiente profissional. Assim, tanto numa como noutra função é fundamental ter a capacidade de adaptar a comunicação às diferentes pessoas/funções e situações.
Outro paralelo que vi ser desenvolvido durante esta jornada foi o da tomada de decisão sob pressão. Enquanto mãe, sou diariamente confrontada com situações em que preciso de decidir rapidamente para garantir a segurança e o bem-estar dos meus filhos. Enquanto consultora, essa mesma capacidade de intuir e decidir de forma rápida e eficaz é extremamente importante, principalmente em situações que envolvam o bem-estar das pessoas que coordeno que, muitas vezes, porque estão na “roda” do dia-a-dia, podem deixar-se levar por uma sensação de pressão desnecessária e precisar de alguém que as ajude a priorizar e/ou a resolver.
No campo de gestão de pessoas, deparei-me com outro paralelo surpreendente que se prende com o facto de que não devemos liderar demasiadamente os nossos filhos, permitindo-lhes espaço para criar enquanto se desenvolvem por si, enquanto, do outro lado, não devemos assumir papéis maternais em relação aos nossos colaboradores, sabendo responsabilizá-los pelas suas decisões. Embora seja importante oferecer orientação e apoio em ambas funções é essencial permitir que assumam responsabilidades e desenvolvam autonomia.
O equilíbrio entre as funções de mãe e líder traz desafios, nomeadamente quando se pretende ser perfeito nas duas. Nesse sentido, comecei a desenvolver um mantra que é o de acreditar que dou o melhor que sei. Há dias em que o cansaço afeta o trabalho ou a cabeça com vários assuntos afeta a dedicação em casa, mas, dias não são dias e o desafio passa sempre por procurar encontrar um equilíbrio saudável – estimulando os níveis de felicidade – entre o trabalho e a maternidade. A verdade é que como mães, somos especialistas em multitasking, em resolver problemas e em motivar e acrescentar algo mais a quem nos rodeia. Se reconhecermos estas capacidades e as transpusermos para o ambiente profissional seremos capazes de desenvolver e fortalecer a nossa liderança, contribuindo para o sucesso das nossas equipas.


