Em mês de Mundial, eis o meu terceiro texto sobre o “fenómeno futebolístico”. O futebol é das coisas que cruza idades, estratos sociais, preferências políticas. É um agregador. Obviamente, ninguém é obrigado a gostar e obviamente há demasiada conversa à volta do tema. Mas também há muito preconceito.
Para quem vê mas também para quem não vê “a bola”, deixo aqui uma mini-bibliografia para este mês de mundial. Tudo boas leituras.
- Estrela Solitária. Ruy Castro, grande estilista da língua, deixou este trabalho sobre Garrincha, uma das lendas do Brasil, grande país do futebol. A escrita tem a classe de um drible do anjo das pernas tortas.
- World Cup Fever. Simon Kuper é o meu colunista favorito sobre futebol. No Financial Times escreve sobre o jogo para lá do jogo. Vê o fenómeno muito para lá da relva. Este livro é mesmo dedicado à “copa”. Tem outros livros muito recomendáveis, como o maravilhoso Football against the enemy.
- Viagens sem Bola. Rui Miguel Tovar mostra como o futebol nos pode ajudar a descobrir o mundo. Estas são viagens com bola mas sobretudo sobre a sociedade à volta. Está na coleção de viagens da Quetzal.
- Futebol ao sol e à sombra. Eduardo Galeano foi, além de um grande escritor, um apaixonado pelo futebol. E este é um livro delicioso, cheio de frases como esta: “o golo é o orgasmo do futebol. Como o orgasmo, o golo é cada vez menos frequente na vida moderna.”
- Entre os vândalos. O futebol tem um lado feio, nomeadamente os hooligans e a violência, um tema tratado por Bill Buford, num excelente livro, cuja tradução está esgotada.
- True Story of the Christmas Truce. Para acabar, eis uma das mais belas histórias do mundo sobre como militares alemães e ingleses decidiram, contra ordens superiores, fazer uma trégua no Natal de 1914, jogando futebol em vez de se matarem. Anthony Richards escreveu este livro mas há outros sobre o tema.
Boas leituras. Estas que aqui deixei rolam como uma bola nos pés de uma equipa bem afinada.
PS: termino com uma vénia a João Matos, grande capitão do futsal do Sporting, que agora acaba a carreira. Obrigado capitão!

