Enquanto escrevo este texto, algoritmos de inteligência artificial (AI) estão a pintar quadros, a imaginar imagens, a responder a e-mails, preparar planos de negócio, criar música de autor, apresentações em powerpoint, esquiços de arquitetura ou ainda, a analisar resultados de exames e dar conselhos médicos. A inteligência artificial já faz mais parte da sua vida […]
Enquanto escrevo este texto, algoritmos de inteligência artificial (AI) estão a pintar quadros, a imaginar imagens, a responder a e-mails, preparar planos de negócio, criar música de autor, apresentações em powerpoint, esquiços de arquitetura ou ainda, a analisar resultados de exames e dar conselhos médicos.
A inteligência artificial já faz mais parte da sua vida do que imagina. Já é usada extensivamente para decidir preços de medicamentos, construir carros em linhas de montagem, determinar que publicidade nos é mostrada nas redes sociais. Mas a inteligência artificial generativa ou gerativa é uma categoria própria que está agora a entrar no nosso dia a dia.
Como é que esta inteligência, que não se limita a processar ou analisar, mas tem um poder de criação que é tanto rápido como eficaz, pode definir o futuro?
Especificamente, no quadro de eventos destrutivos, como é o caso da guerra, e no contexto atual, em que a guerra voltou à Europa, como é que a AI generativa é usada? E se ambos os lados recorrem a esta tecnologia, podemos pensar em guerras travadas apenas no metaverso ou pelo contrário, numa situação distópica em que temos os algoritmos a enviar e “mandar” em tropas humanas decidindo sobre as suas vidas com a frieza e racionalidade de uma máquina?

O uso de AI no desenvolvimento de armas ou em estratégias de planeamento de guerra não é novo. Há vários anos que muitos países têm investido de forma muito expressiva no desenvolvimento de AI para uso militar. Mas o surgimento da AI generativa pode trazer uma mudança relevante ao setor da defesa e à forma como os países se preparam ou na forma como se envolvem em conflitos.
Este tipo de AI pode dotar indivíduos de capacidade de criar conteúdo adulterado e falso mas com uma verossimilhança tal que pode passar por verdadeiro (deep fakes), de forma rápida, barata e eficaz pode influenciar a opinião pública assim como criar situações de treino que sejam emulações da vida real.
Também pode levar à criação de novos tipos de armas que são mais baratas, letais e eficazes do qualquer uma das armas existentes, e acima de tudo, armas autónomas da intervenção humana. Mas não pensemos apenas em armas letais, mas também na capacidade de hackear serviços básicos ou a gestão de infraestruturas fundamentais como abastecimento ou transporte.
Estas são apenas algumas razões que vão seguramente ditar uma espécie de conveção internacional sobre o uso de AI generativa, nomeadamente no que diz respeito à utilização de armas que são operadas através de inteligência artificial, da mesma forma como temos hoje em dia convenções que regulam o uso de armas químicas ou nucleares. Despois da explosão do Chatgpt, este futuro está ao virar da esquina.



