Uma série de revisões dos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável está em curso em Portugal, representando uma oportunidade única para transformar a mobilidade ciclável no país. Estas revisões surgem da adaptação do guia da União Europeia, realizada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes para o contexto português. De acordo com as diretrizes europeias, até […]
Uma série de revisões dos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável está em curso em Portugal, representando uma oportunidade única para transformar a mobilidade ciclável no país. Estas revisões surgem da adaptação do guia da União Europeia, realizada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes para o contexto português.
De acordo com as diretrizes europeias, até 2027 todos os nós urbanos da Rede Transeuropeia de Transportes serão obrigados a ter Planos de Mobilidade Urbana Sustentável atualizados. Enquadram-se nestes as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto (e individualmente cada um dos seus municípios com mais de 100 mil habitantes), Barcelos, Braga, Coimbra, Famalicão, Faro – Loulé, Guimarães, Leiria, Viseu, Funchal, bem como Évora e Ponta Delgada.
Esta obrigatoriedade coincide com um momento crucial para a mobilidade ciclável em Portugal. A Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa (ENMA) 2020-2030, que integra a Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030 e a Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Pedonal 2030, tem metas ambiciosas, que incluem o aumento da proporção de viagens em bicicleta para 7,5% a nível nacional e 10% nas cidades até 2030 e a expansão da rede de ciclovias para 10.000 quilómetros.
No entanto, os avanços até agora demonstram que ainda há um caminho significativo a percorrer para atingir estas metas. Até o início de 2024, o país contava com aproximadamente 1.800 quilómetros de ciclovias, e apenas 0,6% das viagens eram realizadas de bicicleta em 2021, segundo os Censos. Paralelamente, o uso do automóvel nas deslocações diárias aumentou de 61,6% para 66% entre 2011 e 2021, e a sinistralidade envolvendo ciclistas cresceu entre 2019 e 2022, contrariando totalmente os objetivos de redução da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa.
É inegável que a mobilidade ciclável emerge como uma solução crucial para combater as mudanças climáticas, além de promover a saúde pública. Na União Europeia, a prática reduz anualmente mais de 16 milhões de toneladas de CO2, contribuindo significativamente para a diminuição das emissões atmosféricas e mitigação das mudanças climáticas.
Para além do impacto ambiental, pedalar regularmente traz benefícios significativos para a saúde. Estudos mostram que o uso da bicicleta reduz o risco de doenças crónicas, como diabetes, problemas cardiovasculares e respiratórios. A atividade física regular não só melhora a condição física, mas também contribui para o bem-estar mental, aliviando o stress, melhorando o humor e aumentando a disposição.
Sendo assim, a revisão dos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável representa uma oportunidade crucial para Portugal pedalar em direção a um futuro mais sustentável e saudável. É o momento ideal para estabelecer metas ambiciosas de expansão da rede ciclável, integrar a mobilidade em bicicleta com outros modos de transporte e implementar campanhas de educação e consciencialização. Mais do que uma obrigação administrativa, esta revisão permite repensar nossas cidades e nossa relação com a mobilidade. Com o compromisso dos municípios e a implementação efetiva das estratégias delineadas, podemos criar um Portugal onde a bicicleta seja uma escolha natural e celebrada por todos.
