O setor segurador entra em 2026 num cenário marcado pela volatilidade geopolítica, incerteza económica e aumento da frequência das catástrofes naturais, fatores que tornam a gestão do risco mais complexa e exigente. É neste contexto que a seguradora Mudum, companhia do grupo financeiro francês Crédit Agricole, identifica sete tendências que deverão orientar a evolução da indústria ao longo do ano.
Segundo a empresa, o setor terá de assumir um papel mais ativo na sociedade, acompanhando uma realidade em que os riscos se tornam mais frequentes e os consumidores exigem respostas rápidas e soluções mais ajustadas às suas necessidades. A seguradora antecipa também mudanças institucionais relevantes, nomeadamente com nova liderança na Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), que poderá acelerar a transformação do setor e estimular a inovação.
Pressão geopolítica e mudanças demográficas
A instabilidade internacional e os desequilíbrios económicos globais deverão continuar a afetar mercados e cadeias de valor, com impacto direto nas seguradoras. Em paralelo, o envelhecimento da população e a evolução demográfica representam desafios estruturais ao sistema de proteção social, exigindo produtos e serviços adaptados a uma sociedade mais longeva.
A Mudum defende que a antecipação destes fenómenos será determinante para a sustentabilidade do setor, tanto na criação de soluções de poupança e reforma como na adaptação dos modelos de proteção a novos riscos.
Inteligência artificial como complemento humano
A tecnologia, em particular a inteligência artificial, continuará a transformar a indústria, mas a seguradora sublinha que o objetivo não é substituir pessoas. Para a Mudum, o desafio estará em integrar tecnologia e talento humano de forma equilibrada, potenciando eficiência e personalização sem perder a dimensão relacional que caracteriza o setor.
Literacia financeira e mudança de mentalidade
Outro eixo identificado é a necessidade de promover maior literacia financeira e de risco, sobretudo em temas como reforma e poupança. A empresa considera que as seguradoras podem assumir um papel pedagógico, ajudando consumidores a compreender melhor opções de investimento e proteção a longo prazo.
Saúde e longevidade no centro das soluções
Com o aumento da esperança média de vida, a prevenção deverá ganhar protagonismo. Os seguros de saúde e proteção a longo prazo terão de evoluir para responder às necessidades reais das pessoas ao longo de diferentes fases da vida, com foco em modelos preventivos e não apenas reativos.
Fechar o «protection gap» nacional
Um dos pontos críticos apontados é o elevado número de casas, veículos e pessoas sem cobertura adequada — o chamado «protection gap». A Mudum defende soluções estruturais para reduzir este défice de proteção, incluindo a discussão de mecanismos nacionais que reforcem a resiliência social.
Personalização com empatia
Num cenário em que a tecnologia se torna omnipresente, os consumidores exigem experiências mais personalizadas e transparentes. Para a seguradora, as empresas que conseguirem combinar inovação tecnológica com atendimento humanizado terão vantagem competitiva num mercado cada vez mais exigente.
«Este 2026 será um ano de oportunidades, mas também de responsabilidade para o setor segurador. A tecnologia e a inovação são essenciais, mas o foco principal deve ser a proteção real das pessoas e a capacidade de darmos resposta aos desafios sociais do futuro. O setor precisa de contribuir para o reforço da literacia de risco, de investir na prevenção e de criar soluções inovadoras para os desafios identificados. Só assim conseguiremos construir um futuro mais seguro e sustentável para todos», afirmou Afonso Themudo Barata, CEO da Mudum Seguros.



