Os regimes híbrido e remoto vieram para ficar, e abalaram um mercado de trabalho que há muito estava parado. Antes da pandemia, seria impensável trabalhar em casa se existisse um escritório físico; agora estamos a experienciar um grande boom, com a implementação de novas formas de trabalho. Se é para mexer, que seja a fundo […]
Os regimes híbrido e remoto vieram para ficar, e abalaram um mercado de trabalho que há muito estava parado. Antes da pandemia, seria impensável trabalhar em casa se existisse um escritório físico; agora estamos a experienciar um grande boom, com a implementação de novas formas de trabalho.
Se é para mexer, que seja a fundo – a semana de quatro dias
Hoje, já mais de 60% dos portugueses deseja uma semana de trabalho de quatro dias, de acordo com “O estado da compensação 2022-23” da Coverflex, o que reflete a vontade de mudança, e de privilegiar a vida pessoal e o bem-estar. Este novo modelo de trabalho tem vindo a ganhar peso em Portugal, podendo tornar-se uma realidade em breve.
A semana de quatro dias de trabalho é um projeto piloto do governo português que já arrancou, liderado por Pedro Gomes, professor de Economia em Birkbeck, na Universidade de Londres. É um projeto voluntário, em que as empresas que adiram comprometem-se a não reduzir o salário dos trabalhadores, e terão o apoio do Estado para questões de consultoria.
Segundo o mesmo estudo, mais de oito em cada 10 portugueses (86%) gostariam de ver reduzida a duração da semana de trabalho (sem necessariamente ser reduzido o número de dias da semana), e 62,1% preferia trabalhar as 40 horas semanais em quatro dias.
A flexibilidade é essencial, mas está a diminuir
O regime híbrido é o predominante nos setores em que essa modalidade é possível (47,1% dos inquiridos), 29,5% tem um regime presencial, e 23,4% trabalham remotamente. Apesar de tudo, as pessoas têm estado a regressar ao escritório: notou-se um aumento de 8% face ao ano anterior.
Os colaboradores entre os 55 e os 64 anos são os que mais preferem o trabalho presencial, e menos trabalham remotamente, de acordo com o mesmo estudo.
Se olharmos para portais de procura de emprego, como o Alerta Emprego, em 2000 vagas, apenas 3 a 4% das ofertas são para teletrabalho, e só 2% para trabalho híbrido. Já na Michael page, em 1600 ofertas de emprego, cerca de 30% mencionam o regime remoto.
Quais os dias preferenciais para ficar em casa?
Os colaboradores em regime híbrido estão a ficar em casa duas vezes por semana, mas não nos dias que seria de esperar. Embora os planos de trabalho flexível de muitas empresas tenham procurado levar as pessoas ao escritório de terça a quinta-feira, e trabalhar em casa segunda e sexta-feira, verifica-se que os colaboradores ficam em casa com mais frequência na quinta-feira, de acordo com dados da WFH Research.
A sexta-feira tem sido o dia mais popular para trabalhar em casa nos últimos seis meses, seguida pela quinta-feira, enquanto quarta-feira é o dia mais comum para ir ao escritório.


