Num país onde o envelhecimento demográfico avança a ritmo acelerado, começam a surgir novos modelos imobiliários focados na população sénior — e a procura está a crescer. A Empathia, empresa que propõe soluções de venda de habitação com manutenção do usufruto vitalício, registou várias centenas de pedidos desde o início da sua operação, no ano passado, refletindo uma procura nacional por alternativas que conciliem liquidez financeira e permanência no lar.
Segundo dados da empresa, 45% dos contactos têm origem na Grande Lisboa, 22% no Porto e os restantes 33% distribuem-se pelo resto do país. O modelo permite aos proprietários venderem a casa mantendo o direito de nela viver até ao fim da vida, uma solução que ganha relevância num contexto de aumento do custo de vida e de pressão sobre as reformas.
O envelhecimento estrutural da população portuguesa — com projeções que colocam quase metade dos residentes com mais de 55 anos até 2050 — está a redesenhar prioridades sociais e económicas, refletindo-se também na procura por soluções de habitação sénior.
A Empathia afirma já ter fechado dezenas de contratos e escrituras, mantendo contacto direto com mais de um milhão de famílias em Portugal através da sua rede e canais de comunicação. Do lado do mercado, o interesse dos investidores também tem vindo a crescer: mais de 400 terão contactado diretamente a empresa, enquanto os imóveis sob gestão somaram mais de 100 mil visualizações em plataformas especializadas e cerca de seis mil marcações como favoritos.
Além das visitas online, a empresa refere ter realizado mais de uma centena de visitas presenciais com compradores qualificados, incluindo investidores que repetiram aquisições sem necessidade de colocação dos imóveis no mercado aberto — um sinal de procura sustentada por este tipo de ativos.
Investidores atentos a um mercado discreto, mas em rápido crescimento
Para Pedro Almeida Cruz, CEO da Empathia, o crescimento reflete uma mudança estrutural nas necessidades da população sénior. «Num país que envelhece rapidamente, é urgente criar soluções que respondam com dignidade e inteligência aos desafios da longevidade. Há uma procura real por alternativas que conciliam liquidez, estabilidade e permanência no lar», afirma.
A empresa desenvolve ainda um ecossistema de parceiros em áreas como saúde, assistência domiciliária, seguros e residências sénior, numa tentativa de integrar serviços associados ao envelhecimento. O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor imobiliário e social português, que começa a procurar respostas estruturais para o aumento da longevidade e para a necessidade de soluções habitacionais mais flexíveis para a população mais velha.



