Com o aproximar-se do final de 2025, é normal olhar-se para o ano seguinte e tentar analisar as tendências de 2026 nas áreas tecnológicas e de design de produto digital.
Se pensar nos anos anteriores em que fiz este exercício, algumas tendências são mesmo aspirações, e há tantas outras que quase não saem do papel no ano que vaticinamos ser tendência. Farei o mesmo exercício, não com o detalhe de falar sobre cada uma delas, mas com o de enquadramento, e termino com aquilo que realmente importa para quem cria e quem utiliza.
Vai ser o ano dos agentes de Inteligência Artificial (IA); não se fala de outra coisa, daqueles que tomam decisões e executam tarefas independentemente do utilizador. Vamos ouvir falar mais de Edge e não só de Cloud, a forma de computação distribuída em que o processamento e o armazenamento de dados acontecem perto de onde os dados são gerados (por exemplo, sensores, câmaras, máquinas numa fábrica) e não em centros de dados ou na ‘nuvem’. Será inevitável falar de segurança digital, pois os sistemas cada vez mais “inteligentes” assim o obrigam, a adotar práticas como zero trust, em que, de forma simples, nada nem ninguém é confiável por padrão. Haverá novas técnicas de criptografia e, claro, o uso de IA tanto no ataque quanto na defesa dos sistemas, numa batalha cada vez mais intensa.
Se olharmos para o lado do design, as interfaces multimodais e conversacionais voltam a estar no centro das atenções. A combinação de texto, voz, gesto e visão, que já teve os primeiros passos há muito tempo em óculos, depois em capacetes de realidade virtual e aumentada, e agora começa a fazer parte do dia a dia com produtos já disponíveis para utilizadores finais, campanhas de marketing e afins.
Também vamos poder aprofundar um pouco mais na área de Usabilidade (UX), com sistemas preditivos. Na utilização de modelos de impacto preditivo e dashboards de métricas em tempo real para ajustar continuamente produtos digitais ao comportamento dos utilizadores. Quero acreditar que,
na parte emocional e humana, encontraremos, cada vez mais, nos produtos digitais, interfaces simples, mais “quentes” e imperfeitas
,que apelam aos sentimentos e substituem as interfaces de utilizadores (UI) genéricas, de template. Sem nunca esquecer o design inclusivo e a acessibilidade digital. Esta última já está em legislação, mas anda (quase) todo o mundo a passar ao lado.
Termino com o que me parece mais importante. As tendências são um excelente ponto de partida, mas espero que 2026 seja um ano de negócios em que as empresas olhem para o digital com a maturidade certa: clareza estratégica, capacidades internas alinhadas e produtos pensados para criar valor real para as pessoas e para o negócio. É aqui que transformamos as buzzwords em impacto tangível.
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.
