O desafio de repensar as políticas públicas com base em dados, e a sua relevância num processo de tomada de decisão, trouxe esta amanhã, o Almirante e Chefe de Estado da Armada ao palco da segunda edição do Data with Purpose Summit. Na talk «Portuguese Navy – Role of data», Gouveia e Melo enfatizou os […]
O desafio de repensar as políticas públicas com base em dados, e a sua relevância num processo de tomada de decisão, trouxe esta amanhã, o Almirante e Chefe de Estado da Armada ao palco da segunda edição do Data with Purpose Summit.
Na talk «Portuguese Navy – Role of data», Gouveia e Melo enfatizou os 700 anos de história da Marinha Portuguesa, com um universo de dados imenso, uma vez que «o mar é imenso».
«Não importa saber tudo, importa saber o que é realmente útil. Eu quero ter acesso a dados que são úteis para a minha organização. Mas como posso saber quais são, como os recolho, e como os tratos?»
Gouveia e Melo assume desde logo a importância da tecnologia e o papel da Inteligência Artificial na criação, processamento e transferência de dados, com foco na geração de conhecimento útil.
«Na Marinha operamos para além do horizonte. Os dados em si não resultam em nada se não gerarmos conhecimento. O que se faz através de mecanismos de big data, sistemas de classificação, automáticos, ou de intervenção humana, e a Inteligência Artificial – que é muito útil para a Marinha».
E acrescenta: «Antes só tinha marinheiros de carbono, agora começo a ter marinheiros de silício».
O caminho para uma recolha de ‘dados com propósito’ começa por «posicionar a organização para a recolha no sítio certo», de forma a garantir um «posicionamento e significância» desses dados.

Nas suas palavras, o foco e a amplitude no olhar sobre os dados leva à necessidade de avaliação da representatividade da realidade e do que é representativo para a organização.
Depois, devem ser tratados, o que leva a uma política de geração e utilização de dados, sob a pena de se «ficar afogado em dados», o que ilustra com a quantidade de informação que um navio recolhe dos cerca de cinco mil sensores – «são terabytes diários», afirma.
E finalmente a geração de conhecimento, isto é, a utilização dos dados de forma inteligente. E apesar de altamente digitalizada e com a imensidão do oceano, hoje a Marinha enfrenta alguns desafios de falta de recursos. «Estamos a caçar com gato porque não temos cão», partilha.
Os dados como o ‘sol do século 21’
Sob o mote Time to reconnect, o evento «Data with Purpose Summit», organizado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), decorre hoje ao longo do dia.
Com a presença de 35 oradores nacionais e internacionais, a manhã de trabalhos arrancou com uma conversa entre Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa e Miguel de Castro Neto, Dean da NOVA IMS.
«Há um desafio transversal a todas a organizações que é fazer a governação dos dados. Em vez de petróleo, eu considero os dados como ‘o sol o século 21’, pois ao contrário de um combustível fóssil, os dados não se gastam quando os usamos».
As palavras são de Miguel de Castro Neto, que chama a atenção para os cuidados acrescidos que a ciência dos dados acarreta, em questões como a cibersegurança, proteção de privacidade, ética, mas que «não podem ser bloqueadores da inovação, que pode colocar a Europa um pouco atrás». Respeitar as preocupações, mas não deixar de inovar, adverte.

«Os dados são um tesouro e a confiança é a parte mais importante de todas», Francisco Pinto Balsemão destaca a importância dos dados, sobretudo no meio jornalístico, onde já se sabe que «30% das notícias online geram 80% de page views». O perigo da desinformação e dos deepfake é uma realidade, não só nos meios de comunicação, mas também nas empresas. Grupos de media e jornalistas devem «saber como usar a Inteligência Artificial e a Generative AI», sem «nunca se substituir aos jornalistas, naturalmente».
Uma última nota para a necessidade de uma «maior literacia mediática», no consumo de conteúdos e notícias. As notícias correm a uma «velocidade muito rápida», e as pessoas devem distinguir a origem das informações, e quais são os bons media, sob a pena de estar a contribuir para uma «das coisas mais perigosas da sociedade portuguesa».
No final da conversa, Francisco Pedro Balsemão e Miguel de Castro Neto assinaram um protocolo que estabelece uma parceria entre o grupo Impresa e a Nova IMS para criação de um Media& Analytics Lab, nas instalações da Impresa. Será o primeiro Laboratório da NOVA IMS a funcionar fora de portas, dedicado à inovação e aplicação da Ciência de Dados no jornalismo e na comunicação social.



