É urgente transformarmos as nossas cidades para que respondam aos desafios da sustentabilidade, mas sobretudo às necessidades e qualidade de vida dos seus habitantes, permanentes e temporários. Segundo dados da ONU, apesar de 56% da população mundial viver em cidades, estas ocupam apenas 1% a 3% da superfície terrestre do Planeta. Esta crescente concentração exige […]
É urgente transformarmos as nossas cidades para que respondam aos desafios da sustentabilidade, mas sobretudo às necessidades e qualidade de vida dos seus habitantes, permanentes e temporários.
Segundo dados da ONU, apesar de 56% da população mundial viver em cidades, estas ocupam apenas 1% a 3% da superfície terrestre do Planeta. Esta crescente concentração exige planeamento e ambição.
Todos queremos que a cidade do futuro seja ainda mais inteligente e segura (com tecnologia integrada que permita maior eficiência na gestão de recursos – como a água – e eficácia no seu planeamento e funcionamento – as cidades são responsáveis por 70% das emissões globais de CO2 e consomem mais de 75% dos recursos naturais globais), mais sustentável (centrada na energia renovável, na arquitetura verde, na economia circular, no humanismo), com melhor mobilidade (abrangendo toda a cidade e devolvendo-a aos cidadãos- ao invés da prioridade dada a automóveis) e mais saudável (incentivando um estilo de vida saudável e eliminando os fatores que prejudiquem a sua habitabilidade).
A cidade do futuro não terá sucesso se não for, acima de tudo, inclusiva. Um território diverso e disperso, mas integrador onde os locais e os estrangeiros, turistas ou imigrantes, se sintam em casa e tenham casa (com políticas públicas eficazes, testadas em partes do Mundo, que façam da habitação e da habitabilidade algo para todos e não privilégio de alguns). Uma cidade que saiba falar com todos e para todos, não apenas com o objetivo de conquista de um voto, mas porque acredita e aposta no bem-estar de quem ali vive, seja por um dia, um ano ou uma vida inteira.
A comunicação será um ponto essencial nestas cidades. Não será possível envolver todos num projeto comum sem explicar o porquê de uma nova medida, a sua causa e efeito, ou sem os trazer para o debate sobre os desafios do futuro e as suas soluções. É essencial falar para cada um (conscientes que muitos dos novos habitantes são temporários ou recentes) sem esquecer a importância de recolher a opinião e o contributo de todos. A participação cidadã através de uma governança digital permitirá uma maior abrangência, acessibilidade e foco, mas sobretudo transparência na tomada de decisões. Se a esta juntarmos a educação contínua como motor da mudança e a inclusão social como pilar para uma cidade mais equitativa, estaremos no caminho certo para o destino ideal onde todos queremos viver: a cidade que sonhamos.
Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.



