A semana de quatro dias já tem sido implementada em Portugal e os resultados são positivos. Na maior parte dos casos, o aumento de eficiência e produtividade são as principais características destacadas, bem como o aumento do bem-estar dos trabalhadores. Apesar das dificuldades iniciais de adaptação, a maioria das organizações não volta atrás na sua […]
A semana de quatro dias já tem sido implementada em Portugal e os resultados são positivos. Na maior parte dos casos, o aumento de eficiência e produtividade são as principais características destacadas, bem como o aumento do bem-estar dos trabalhadores. Apesar das dificuldades iniciais de adaptação, a maioria das organizações não volta atrás na sua decisão.
Os resultados observados em Portugal são consistentes com projetos semelhantes conduzidos em outros países, como Reino Unido, Irlanda e Alemanha.
Estas são algumas conclusões do projeto piloto da semana de quatro dias levado a cabo por Pedro Gomes e Rita Fontinha, académicos e investigadores nas áreas de emprego no setor público e trabalho flexível.
Este projeto, que envolveu 41 empresas, «demonstrou que reduzir o tempo de trabalho (sem cortes salariais) pode trazer benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas», afirmam os investigadores, em declarações à Líder.
O seu objetivo principal é fazer com que a «semana de quatro dias deixe de ser vista como uma ideia radical e impraticável e passe a ser considerada uma solução realista e viável para o futuro do trabalho, um futuro que alie a sustentabilidade e a produtividade.»
As empresas do estudo adotaram diferentes formatos da semana de quatro dias ao longo de 2023. 21 empresas que coordenaram o começo do teste em junho juntaram-se a outras 20 empresas que a adotaram antes. No total, mais de 1000 trabalhadores foram abrangidos. Houve também 55 empresas interessadas no projeto, mas que decidiram não participar, e 24 empresas que assistiram às sessões de preparação, mas optaram por não iniciar o teste
Agora, os investigadores lançam o ‘Starter Pack da Semana de 4 Dias’, um documento que reúne todo o material criado durante o projeto-piloto, incluindo as gravações das várias sessões com as organizações participantes. O pack está disponível a partir de hoje para todas as empresas que estejam a considerar testar este modelo.
«Vamos disponibilizar todo o material às empresas interessadas, sem nenhum custo financeiro e sem o compromisso de ter de implementar a semana de quatro dias. A única contrapartida é participarem num estudo académico, respondendo a inquéritos que ajudarão a aprofundar a compreensão dos impactos da semana de quatro dias», acrescentam os académicos.
Os investigadores destacam ainda os principais resultados observados:
Funcionou como prática de gestão: Entre as 41 empresas que testaram a redução do tempo de trabalho, apenas quatros reverteram à semana de cinco dias após o fim do teste. Em muitos casos, as empresas conseguiram reorganizar processos de trabalho, aumentando a eficiência e garantindo a mesma produção. Apenas uma das organizações teve de contratar mais trabalhadores para testar a redução da semana de trabalho.
Desafios na implementação: A implementação da semana de quatro dias é um processo difícil, que obriga a muitas mudanças na organização do trabalho e na gestão da empresa.
Melhoria no bem-estar dos trabalhadores: Houve uma redução significativa nos níveis de stress e exaustão, bem como melhorias na saúde mental, na satisfação com a vida, e no equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Esta melhoria foi muito valorizada pelos trabalhadores, sobretudo por mulheres, trabalhadores com filhos, trabalhadores com qualificações e salários mais baixos.
Em que consiste o Starter Pack, agora disponibilizado às empresas?
«O objetivo do Starter Pack é permitir que mais empresas testem o modelo de forma independente, mas com um suporte baseado em experiências reais», explicam Pedro Gomes e Rita Fontinha. Desta forma, o documento consiste num conjunto de materiais elaborados para ajudar empresas interessadas em testar este modelo de trabalho, que inclui as seguintes componentes:
Gravações das sessões do projeto-piloto: Apresentações e workshops realizados ao longo do piloto, com insights sobre desafios e estratégias adotadas pelas empresas participantes.
Guias e documentação prática: Materiais detalhando como planear e implementar um teste da semana de quatro dias, desde a fase de análise inicial até à monitorização de resultados.
Ferramentas de apoio: Modelos de inquéritos e métricas para que as empresas possam avaliar os impactos da mudança na produtividade e no bem-estar dos trabalhadores, bem como uma reunião individual.
Quanto às repercussões deste projeto, os investigadores esperam que haja uma «maior adoção por empresas», bem como «monitorizar a sua adesão no tecido empresarial português, e documentar e estudar os seus efeitos para as empresas e para os trabalhadores».
Os académicos referem ainda que existiu algum atrito nesta experiência, explicando que, «mesmo com um foco muito explícito nas empresas e na sua produtividade, sentiu-se uma grande resistência à experimentação, sobretudo de associações patronais e grandes empresas». «A verdade é que, num contexto de competição acirrada e desafios constantes, são poucas as empresas que dedicam recursos para inovar na organização do trabalho», concluem.
Saiba mais sobre o Starter Pack da Semana de 4 Dias aqui.





