Antes de se tornar um símbolo global, a Coca-Cola começou como uma solução simples, vendida ao balcão de uma farmácia. Este é o primeiro artigo da série 'Como nasce um ícone', dedicada a explorar as origens dos produtos que moldaram marcas de renome.
Há marcas que se constroem lentamente e muitas vezes bifurcam-se por caminhos totalmente diferentes do começo. Antes de se tornar um dos produtos mais reconhecidas do mundo, a Coca-Cola começou de forma simples e longe do modelo de consumo que hoje conhecemos. O primeiro produto da empresa norte-americana não era um refrigerante gaseificado pronto a beber, mas sim um xarope concentrado, vendido em farmácias, ao qual os clientes adicionavam água com gás no momento do consumo.
Este é o primeiro artigo da série Como nasce um ícone?.
Um produto criado numa farmácia
A história da Coca-Cola remonta a 1886, em Atlanta, quando o farmacêutico John Stith Pemberton desenvolveu um xarope aromatizado com extratos vegetais, pensado inicialmente como um tónico medicinal. Na época, era comum que farmácias funcionassem como espaços de socialização e consumo de bebidas, graças às populares soda fountains.
O xarope da Coca-Cola era misturado manualmente com água gaseificada no balcão, sendo servido em copos, à dose. Cada cliente ajustava a bebida ao seu gosto, tornando o produto final parcialmente personalizado.
O papel do consumidor na experiência
Ao contrário do que acontece hoje, a carbonatação não fazia parte do produto original. Era o consumidor – ou o farmacêutico – quem adicionava a água com gás ao xarope. Este detalhe técnico revela um traço importante da fase inicial da marca: a Coca-Cola não vendia um produto fechado, mas uma base, dependente da interação humana para se transformar na bebida final.
Esta lógica permitiu à marca testar o sabor, ajustar a fórmula e observar hábitos de consumo antes de avançar para a produção em larga escala.
Da fórmula ao império global
O sucesso do xarope levou rapidamente à sua comercialização mais ampla. Em 1892, Asa Candler adquiriu os direitos da fórmula e fundou a The Coca-Cola Company, apostando na distribuição do xarope para farmácias e estabelecimentos por todo o país.
Só mais tarde, em 1899, surgiria o modelo de engarrafamento, que transformaria a Coca-Cola num produto padronizado, pronto a consumir, um passo decisivo para a sua expansão internacional. O The Guardian sublinha que esta transição marcou o início da Coca-Cola enquanto símbolo da cultura de massas.
Uma lição de inovação incremental
O primeiro produto da Coca-Cola mostra que grandes marcas raramente nascem “perfeitas”. Pelo contrário, evoluem a partir de soluções simples, testadas no terreno, com forte interação com o consumidor. Como destaca o Harvard Business Review em análises históricas sobre a marca, a Coca-Cola construiu o seu sucesso não apenas pela fórmula, mas pela capacidade de escalar uma ideia, transformar hábitos e criar consistência num produto que começou como um simples xarope.
Mais de um século depois, esta origem continua a ser um lembrete poderoso: por detrás de marcas globais, há quase sempre um primeiro produto experimental e uma boa dose de adaptação.


