Mais ou menos na mesma altura, morreram Edgar Morin e Karl Weick. O francês era tão conhecido que alguns dos textos que lhe foram dedicados tinham apenas o seu nome. Weick, esse, é um absoluto desconhecido para a maioria das pessoas. Mas para mim foi um herói intelectual.
Professor na Universidade de Michigan, Weick foi um psicólogo social que se dedicou a estudar organizações. Deixou uma obra importante para os académicos da sua área. Destaco três ideias que nos legou.
Primeira ideia: se quer conhecer as organizações, estude outra coisa qualquer. Coisa que ele fez: estudou combos de jazz, incêndios florestais, o funcionamento dos porta-aviões.
Ou seja, disse-nos que quem só sabe sobre uma coisa não sabe coisa nenhuma. Sejamos curiosos. Exploremos.
Em segundo lugar, em vez de ver as organizações como entidades, abordemo-las como processos. Apesar de falarmos de resistência à mudança, as organizações estão sempre a mudar. Como ele disse, num dos seus extraordinários aforismos, a mudança nunca começa porque nunca acaba. Terceiro, liderar (ou melhor, viver) é um contínuo processo de construção de sentido. Ellen Langer, que ele citou, disse recentemente em entrevista: «Costumo dizer que estamos frequentemente errados, mas raramente em dúvida». Daí a sua interpelação para que pratiquemos o sensemaking…
Mas há mais, muito mais. Um dia, numa conferência, tive a oportunidade de o conhecer. Preferi não o fazer: tive medo de não gostar da pessoa. Não sei se fiz bem ou mal mas uma coisa sei: desde que passou a ser o meu gigante académico de eleição, Weick numa deixou de o ser o maior entre os maiores. Descanse em paz, professor Weick.


