Não é por acaso que se diz que as ideias são o tesouro mais precioso do mundo. Patrick Roubroeks, Fundador da Xsaga, agência de Criatividade e Produção, afirma que “a autenticidade não existe”. Parece contraditório? O Diretor Criativo esteve recentemente em Portugal, na apresentação de uma palestra, onde passou a mensagem de que nenhuma ideia […]
Não é por acaso que se diz que as ideias são o tesouro mais precioso do mundo. Patrick Roubroeks, Fundador da Xsaga, agência de Criatividade e Produção, afirma que “a autenticidade não existe”. Parece contraditório?
O Diretor Criativo esteve recentemente em Portugal, na apresentação de uma palestra, onde passou a mensagem de que nenhuma ideia é original – e está tudo bem com isso. É simples: todos os conceitos, todas as ideias, têm por base algum tipo de arte já existente. Cabe-nos saber trabalhar a nossa experiência e dar-lhe um novo olhar, e trabalhar o intertexto.
«Se tens um molho de folhas caídas no teu jardim, recolhe-as, e fertiliza a tua mente, para crescerem coisas novas, novas ideias, com base no que já existe», enfatiza.
Patrick Roubroeks guiou-nos pela sua talk From Inspiration to Creation, no âmbito do evento Reinvent the Event, em que desconstrói os vários projetos em que esteve envolvido durante o seu processo criativo. De onde bebeu a sua inspiração; como cruza o seu conhecimento e experiência com a música, pintura, literatura, e todas as formas de arte.
Em conversa com a Líder, quando perguntámos como sabemos parar o processo criativo e passar para o papel, disse entre risos: «Nunca se para. Desde o momento em que acordamos, até irmos dormir, estamos sempre a absorver experiências. Sejam elas coisas mundanas do dia-a-dia, ou ir diretamente buscar inspiração à arte, ciência, política.».

Um caso prático
A Xsaga recebeu o desafio de fazer a celebração dos 50 anos do Museu Van Gogh, com um twist: o diretor do museu queria fazer algo que chamasse a atenção, mas que não atraísse demasiadas pessoas para o interior, visto que todos os dias excedem a capacidade máxima de pessoas.
Patrick resolveu o dilema com humor: inspirou-se nos famosos girassóis de Van Gogh, no filme “O Labirinto” (1986) e na impressão “Relativity” de Escher. O resultado foi a construção de um labirinto com 12,500 girassóis à entrada do museu, com várias obras distribuídas pelo mesmo.
Assim, as pessoas não se concentraram apenas num local, e conseguiram usufruir das obras numa nova experiência, com base em arte já existente.

Equilibrar o Criativo e Produtor
As ideias são valiosas, mas e quando não corre tudo como planeado? “Há sempre algum problema que temos de resolver. É esse o meu lado de produtor de eventos que tenho de ativar”, confessa.
Acrescenta ainda que “por vezes, temos de tomar decisões difíceis, como cancelar um evento”. Tiveram de o fazer com uma abertura de um evento desportivo que contava com mais de seis mil pessoas, mas que a chuva o tornou impossível.
E as soluções? “Tivemos uma situação caricata; quando ficámos 10 minutos seguidos sem eletricidade a meio de um evento com 1500 pessoas, fui pedir eletricidade à igreja ao lado, e aí foi tanto o meu lado produtor como criativo a funcionar”.
Patrick Roubroeks deixa um conselho para as lideranças que pretendem inovar em 2025: «sejam empáticos, humanos e emocionais».
Para os líderes mundiais, Patrick pede reflexão e empatia, pois só assim é que a Humanidade pode continuar e prosperar.
Façam statements artísticos, pessoais e emocionais. O nosso cérebro emocional é muito maior que o racional. Por isso, sugiro aos nossos líderes comunicarem com as emoções


