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Home Opinião Ações da Meta atingem mínimos de 2016

Opinião

Ações da Meta atingem mínimos de 2016

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31 Outubro, 2022 | 6 minutos de leitura

A empresa de Mark Zuckerberg, Meta Platforms (META.US), o antigo Facebook, apresentou resultados referentes ao 3º trimestre na semana passada, os quais acabaram por surpreender pela negativa os analistas. A Meta foi a última das FAANG a apresentar resultados. As ações da Microsoft e da Alphabet também reagiram em baixo, por não terem correspondido às […]

A empresa de Mark Zuckerberg, Meta Platforms (META.US), o antigo Facebook, apresentou resultados referentes ao 3º trimestre na semana passada, os quais acabaram por surpreender pela negativa os analistas. A Meta foi a última das FAANG a apresentar resultados. As ações da Microsoft e da Alphabet também reagiram em baixo, por não terem correspondido às expectativas dos investidores.

Entretanto, as acções da Meta perderam quase 20%, atingindo mínimos de 2016:

Lucros por ação (EPS): Previsão $1,64 vs. $1,89 (Refinitiv)

Receitas: 27,71 mil milhões de dólares vs. 27,38 mil milhões de dólares previstos (Refinitiv)

Utilizadores mensais ativos (MAU): 2,96 mil milhões vs. 2,94 mil milhões previstos (StreetAccount)

Utilizadores diários ativos (DAUs): 1,98 mil milhões vs. 1,98 mil milhões previstos (StreetAccount)

 

Receita média por utilizador (ARPU): $9,41 vs. $9,83 previsões (StreetAccount)

  • A empresa reportou novas quedas nos resultados trimestrais em relação às receitas, com as receitas esperadas do quarto trimestre a não corresponderem às expectativas dos analistas. De acordo com as previsões da empresa, as receitas do Q4 situar-se-ão entre 30 mil milhões e 32,5 mil milhões de dólares, com Wall Street a esperar um mínimo de 32,2 mil milhões de dólares. A divisão ‘Reality Labs’, que desenvolve a tecnologia Metaverse e RV, perdeu $9 mil milhões nos primeiros três trimestres deste ano.
  • A Meta está a debater-se com o aumento dos custos, que aumentaram 19% numa base anual para 22,1 mil milhões de dólares, enquanto o rendimento operacional caiu 46%. A margem de exploração também caiu para 20%, em comparação com os 36% no terceiro trimestre de 2021. O rendimento líquido diminuiu 52%, para 4,4 mil milhões de dólares. Embora as quedas sejam significativas, vale a pena notar que a empresa ainda tem bastante dinheiro disponível para investir no desenvolvimento e pouca dívida, levando alguns investidores a acreditar que Mark Zuckerberg será de facto capaz de ‘provar’ a revolução do mundo virtual ‘Metaverso’.

A empresa foi fortemente atingida pelo abrandamento do setor da publicidade, à medida que os anunciantes se retraem perante o abrandamento do consumo e um ambiente macro incerto. No entanto, isto não deve ser uma surpresa; relatórios anteriormente publicados por empresas que retiram os seus lucros principalmente do sector da publicidade, como a Snap e a Alphabet, apontavam para um abrandamento muito provável das receitas da Meta. No entanto, os analistas foram surpreendidos pela sua escala e pela deterioração das previsões. Foram agravados pela actualização da privacidade da Apple, que permite aos utilizadores decidir se querem exibir anúncios, e pelo sentimento negativo continuado no mercado para as empresas tecnológicas. A empresa enfrente ainda a crescente concorrência do TikTok.

 

A relação preço/rendimento para a Meta está atualmente num nível historicamente baixo em relação à média do índice NASDAQ, contra o qual está a negociar com um desconto superior a 50%. Fonte: Bloomberg

 

Metaverse – demasiado bom para ser verdade?

O setor do metaverso não está a correr bem para a empresa, apesar de um conceito fantástico que pode até ser visto pelos investidores como “demasiado bom para ser verdade”. As receitas da Reality Labs caíram para 285 milhões de dólares, quase reduzindo para metade a partir do terceiro trimestre de 2021. O prejuízo aumenta para 3,67 mil milhões de dólares, de 2,63 mil milhões de dólares no 3T 2021. Os optimistas podem dizer que a perda trimestral da expansão do Metaverse ainda é inferior ao lucro líquido trimestral, pelo que Zuckerberg ainda pode dar-se ao luxo de desenvolver conceitos futuristas. O problema é que as perdas não parecem ter um fim à vista. As vendas de aparelhos de realidade virtual e de software Metaverse poderão ter um abrandamento devido à recessão tecnológica global e redução de custos dos consumidores.

A Microsoft tem apontado para uma diminuição da procura por computadores pessoais, e os fabricantes de semicondutores Intel e AMD têm também insinuado uma possível “recessão” no mercado da tecnologia. A desaceleração pode estender-se às vendas de dispositivos Oculus, o que coloca a empresa numa posição ainda mais difícil. Além disso, a empresa informou que as perdas operacionais da Reality Labs em 2023 irão aumentar significativamente.

 

A redução de custos não ajuda

A empresa disse que reduziu a sua força de trabalho e está a investir no seu crescimento apenas nos seus projectos mais importantes. Até agora, porém, os cortes nas despesas não ajudaram a estabilizar as margens decrescentes da empresa. A Meta Platforms, contudo, não espera outra onda de despedimentos; de acordo com as estimativas, o emprego no final de 2023 será próximo do do 3º trimestre de 2022. Um factor encorajador para a empresa pode ser o fato do número de utilizadores das principais plataformas Facebook e Instagram continuar a crescer e permitir-lhes manter o seu lugar no top5 das plataformas de redes sociais mais visitadas do mundo (Facebook continua a ser a mais popular, Instagram no 4º lugar). Meta indicou que registou 197 milhões de utilizadores diários activos nos EUA e no Canadá, um aumento de 1 milhão em relação ao 3º trimestre de 2021.

 

‘Desta vez será diferente’

O sell-off que atingiu as ações da Meta e as quedas deste ano dos gigantes de Silicon Valley mostram o risco de situações em que as avaliações do mercado de ações começam a destacar-se dos fundamentais. Em momentos extremos de euforia, os investidores tendem a sobreavaliar as ações “líderes” e a construir um conceito de “mudança de paradigma” para justificar a causa do “crescimento perpétuo”. O conceito perigoso pressupõe então que “desta vez será diferente”. O caso da Meta assemelha-se ao da empresa ‘Nifty Fifty’ dos anos 80. As empresas que divulgam resultados surpreendentemente bons acabam por se tornar ‘escravas’ de expectativas cada vez maiores dos investidores. O sell-off das ações da Meta na semana passada, traduz-se numa desvalorização de cerca de 70% desde os máximos do último Outono. Esta queda pode, no entanto, suscitar o interesse de investidores contrários.

Mark Zuckerbreg referiu em 2021 que a empresa iria sofrer uma transformação “dolorosa” e arriscada para se transformar de uma plataforma social num centro tecnológico para os mundos virtuais Metaverse a longo prazo, que selou com uma mudança de nome da empresa.

Meta Platforms (META.US) gráfico D1. Fonte: xStation 5.

A queda total na capitalização bolsista na pré-abertura do mercado, após a divulgação de resultados da empresa, ronda quase 65 mil milhões de dólares.

À data de escrita deste artigo as ações da Meta cotam abaixo dos 98 USD, valores mínimos de 2016! Teremos novas quedas no horizonte?

Nuno Mello,
Analista XTB

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