Há uns meses, quando disse que ia votar nas eleições do meu clube, responderam-me que só o futebol mobiliza os portugueses. Não será bem assim, mas há um ponto na reação.
Como Simon Kuper tem desenvolvido nas suas crónicas no Financial Times, o futebol pode ser um importante fator de união. Senão vejamos…
Muitas pessoas gostam de futebol. O futebol cruza e ultrapassa classes sociais, idades, preferências políticas. Os do meu clube são cá dos meus. Todos. Como Kuper explicou, investigação empírica mostra que quem gosta de futebol tem mais amigos. A bola é um motivo de conversa diário – porventura até demasiado presente. E, excluindo uma minoria de fanáticos, ninguém corta relações nem se zanga com os ‘outros’ por causa deste assunto. Já da política já não se pode dizer o mesmo nestes tempos de polarização.
Para respeitar esta dimensão, convinha é que os dirigentes portugueses percebessem de vez que não lhes cabe usar um fator de união para desunir. E que gerissem os preços de bilhetes de forma a garantir que todos podem ter acesso ao espetáculo. Ou seja, devia haver setores com lugares realmente baratos. Os dirigentes são o ponto fraco do futebol nacional. E são eles, uns mais que outros, que dão alguns argumentos a alguém que conheci e que quando se mencionava algo do mundo da bola perguntava se já tínhamos chegado à taberna.

