Os custos com a saúde disparam. A energia e as telecomunicações continuam a subir. E, apesar de o dinheiro valer menos do que no ano passado, os preços de bens e serviços essenciais mantêm-se elevados. Esta combinação está a criar uma crise de acessibilidade que não afeta apenas os consumidores - está também a instalar-se no interior das empresas.
Para os diretores financeiros (CFOs), o cenário é claro: os custos estão a aumentar de forma estrutural, não conjuntural. De acordo com previsões recentes, os preços grossistas e os custos de produção deverão crescer 4,2% este ano. Nos Estados Unidos, o custo anual de um plano de saúde familiar pago pela entidade empregadora ultrapassa já os 27 mil dólares, enquanto a eletricidade e as telecomunicações registam subidas superiores a 4,5% em termos homólogos.
«Há CFOs que sentem que estão a gerir uma crise de acessibilidade dentro das próprias contas», resume Beau Lambert, senior client partner da Korn Ferry.
A consultora resume o estado do mundo empresarial numa ideia simples: os custos deixaram de ser exceção e passaram a ser o novo normal.
Custos persistentes, não excecionais
Alguns setores sentem esta pressão de forma mais intensa. A indústria automóvel, por exemplo, enfrenta um impacto estimado de 25 mil milhões de dólares em 2025 devido a tarifas e novas regulações. Já as empresas de média dimensão, com receitas entre 10 milhões e 1.000 milhões de dólares, viram os seus custos aumentar em 82 mil milhões.
Mais preocupante do que os valores é a perceção: estes custos vieram para ficar. Após anos de renegociação de contratos com fornecedores e parceiros para acomodar disrupções na cadeia de abastecimento e tensões geopolíticas, muitos dos instrumentos tradicionais de contenção de custos estão esgotados.
O limite de passar custos ao cliente – e ao talento
As empresas orientadas para o consumidor conseguiram repercutir cerca de 37% dos custos adicionais das tarifas nos preços finais. Mas, num contexto de perda de poder de compra, insistir nessa via pode significar perder clientes. Internamente, o cenário não é mais simples: cortes em benefícios, salários a crescer abaixo da inflação, despedimentos e congelamentos de contratações já foram amplamente utilizados.
O problema é que continuar a transferir a pressão para clientes e colaboradores ameaça a sustentabilidade do negócio. Reduzir benefícios e remuneração aumenta o risco de perda de talento, seja para a concorrência, seja através da desmotivação silenciosa.
Em resposta, algumas empresas estão a optar por soluções mais cirúrgicas, como planos de saúde personalizados, franquias mais elevadas ou maior recurso a cuidados virtuais, numa tentativa de controlar custos sem penalizar todos por igual.
Eficiência operacional em vez de cortes cegos
Em vez de reduções drásticas, 2025 deverá ser marcado por um foco renovado na eficiência operacional. Automação, inteligência artificial e revisão crítica de processos ganham protagonismo, com o objetivo de aumentar a produtividade e eliminar tarefas de baixo valor.
Ao mesmo tempo, as organizações que conseguirem impulsionar o crescimento da receita através da inovação terão uma vantagem competitiva clara. O desafio está em encontrar o equilíbrio: proteger margens sem comprometer o futuro.
«Os CFOs estão a caminhar numa corda bamba», conclui Lambert. «Tentam defender a rentabilidade sem asfixiar o negócio, num mundo onde tudo está a ficar mais caro.»



