Ao longo dos séculos, muito se escreveu e cantou sobre os feitos e efeitos da guerra: Alexandre, o Grande; Júlio César; Genghis Khan; Napoleão Bonaparte; George Washington; George S. Patton são grandes figuras históricas que deram origem a mitos, histórias e até filmes e musicais. Toda a história da Humanidade foi moldada pela guerra e […]
Ao longo dos séculos, muito se escreveu e cantou sobre os feitos e efeitos da guerra: Alexandre, o Grande; Júlio César; Genghis Khan; Napoleão Bonaparte; George Washington; George S. Patton são grandes figuras históricas que deram origem a mitos, histórias e até filmes e musicais.
Toda a história da Humanidade foi moldada pela guerra e pelos que a comandavam, desde o primeiro conflito registado há cerca de 10.000 anos na atual Síria, até às guerras da (des)informação do século XXI. Podíamos, por isso, afirmar que esta é uma realidade à qual não podemos escapar e que é parte indelével da natureza humana.
No entanto, não deixa de ser irónico reparar que os maiores avanços civilizacionais se deram em tempos de paz e tranquilidade. Então, porque será que quando pensamos nos grandes líderes da nossa história, olhamos para aqueles que têm mais vitórias, mais medalhas e mais inimigos conquistados?
Um líder é alguém que inspira, que move, que conduz, mas acima de tudo, é alguém que constrói. O verdadeiro papel da liderança é edificar e contribuir para o desenvolvimento das nações, elevando os povos a novos patamares: Albert Einstein abriu-nos os olhos à relatividade do cosmos; Marie Curie mostrou-nos como a radiação pode salvar vidas e foi um novo modelo para mulheres de todo o mundo; Charles Darwin, mostrou-nos o nosso lugar entre as espécies; Bob Dylan, deu mais poder à música para combater as atrocidades da guerra; Nelson Mandela, ensinou-nos a olhar para o nosso próximo com compaixão e a resistir às agressões.
A lista podia continuar e nunca seríamos capazes de dizer dois nomes com os mesmos traços ou qualidades – a verdadeira característica de um líder está em utilizar a sua diferença em prol dos outros. E não existe maior propósito do que a paz.
Vivemos tempos desafiantes, pautados por recessões económicas, crises pandémicas e, infelizmente, conflitos armados em territórios há muito livres do jugo da guerra e é em ocasiões como esta que a população olha para os seus líderes em busca de orientação e apoio. Se é verdade que a guerra apenas traz sofrimento e retrocessos civilizacionais, não deixa de ser verdade que os grandes líderes também aqui se destacam. No entanto, o que o distingue de um chefe, general ou comandante é que, quando confrontado com situações de conflito, são capazes de colocar os interesses das pessoas à frente e escolher a via diplomática, do diálogo e da desescalada da retórica bélica.
Em 1917, Woodrow Wilson, referindo-se à I Guerra Mundial, disse que aquela era “a guerra para acabar com todas as guerras”. Permitam-me discordar: a verdadeira guerra para acabar com todas as guerras não foi, nem será um conflito armado; será, sim, um conflito interior que todos os homens e mulheres terão que fazer, até que se apercebam que o futuro da Humanidade é um propósito coletivo que está nas mãos de cada um de nós. O verdadeiro líder é aquele que sabe colocar os interesses dos outros acima dos seus e consegue fazer que outros sigam o seu exemplo.
Por Bruno Mota, Managing Director da Devoteam em Portugal

