Crime e violência, inflação e desigualdade social são hoje as maiores fontes de preocupação à escala global. O relatório da Ipsos mostra um mundo mais inseguro, economicamente pressionado e com níveis elevados de pessimismo quanto ao rumo dos países, apesar de sinais pontuais de recuperação económica.
De acordo com o estudo What Worries the World – December 2025, que analisa perceções em 30 países, 59% da população considera que o seu país está a seguir o caminho errado, contra apenas 41% que acredita estar na direção certa.
Apesar de uma ligeira melhoria face ao ano anterior, o sentimento global continua marcado pela incerteza. A análise mostra ainda que, embora quatro em cada dez pessoas descrevam a situação económica do seu país como ‘boa’, esse valor permanece distante de uma perceção generalizada de estabilidade, sobretudo nas grandes economias europeias.
No caminho certo?
Em 30 países, a proporção que afirma que o seu país está «no caminho certo» aumentou 4 pontos percentuais para dois quintos (41%) desde dezembro passado. Em dezembro de 2024, 22 dos 29 países tinham uma maioria que afirmava que o seu país estava a seguir na direção errada. Em dezembro de 2025, 23 dos 30 países têm uma maioria que acredita no mesmo.
A Irlanda foi adicionada ao inquérito durante 2025, pelo que agora cobrimos mais um país. A Coreia do Sul passou para o campo da «direção certa» e o México para o campo da «direção errada» ao longo do ano. França está à frente quando se trata de ser a nação mais pessimista; em setembro, registou a pontuação mais baixa em 10 anos na direção certa, com 9%. Em dezembro estava em 10%.

Crime e violência no topo das preocupações globais
Pela quinta vez consecutiva, crime e violência surgem como a principal preocupação mundial, mencionada por 32% dos inquiridos.
Apesar de uma ligeira descida face ao mês anterior, o tema mantém-se no topo, refletindo uma tendência de longo prazo agravada por instabilidade social, conflitos internos e perceções crescentes de insegurança urbana.

Países como Peru, México, Suécia, Chile e Brasil apresentam níveis particularmente elevados de preocupação, enquanto na Europa Ocidental se registam subidas expressivas face a 2024, nomeadamente na Alemanha, Itália e França.
Inflação estabiliza, mas continua a pressionar famílias
A inflação é a segunda maior preocupação global, referida por 30% da população. Embora os níveis tenham estabilizado ao longo de 2025, o impacto acumulado da subida do custo de vida continua a afetar o poder de compra e a confiança das famílias.
Em economias como a Índia, Canadá e Estados Unidos, a inflação mantém-se entre os principais fatores de ansiedade económica. O relatório sublinha que, mesmo com sinais de desaceleração, os efeitos psicológicos e sociais da inflação persistem.
Desigualdade social e desemprego mantêm-se estruturais
A pobreza e desigualdade social ocupam o terceiro lugar das preocupações globais (28%), seguidas de perto pelo desemprego, também com 28%. Estes dois indicadores revelam problemas estruturais que atravessam geografias e modelos económicos distintos.
Na África do Sul, por exemplo, o desemprego atinge níveis historicamente elevados de preocupação, enquanto na Europa cresce a perceção de desigualdade como fator de instabilidade social e política.
Saúde, imigração e clima descem na hierarquia
Apesar de continuarem presentes, a saúde (23%) e a imigração (18%) perderam relevância face a picos registados durante a pandemia e crises migratórias recentes. Já as alterações climáticas descem para 13%, o valor mais baixo em mais de quatro anos, ainda que eventos extremos na Ásia tenham provocado subidas pontuais em países como Tailândia e Malásia.
Um mundo economicamente frágil e politicamente tenso
O relatório da Ipsos traça o retrato de um mundo em que a recuperação económica não é suficiente para restaurar a confiança. Mesmo em países onde os indicadores macroeconómicos melhoraram, o sentimento coletivo permanece marcado por insegurança, desigualdade e perceção de perda de controlo.
Mais do que crises pontuais, os dados revelam um mal-estar estrutural, em que economia, segurança e coesão social se cruzam como desafios centrais para governos e líderes em 2026.



