Simplificar é, talvez, o maior desafio do nosso tempo. Numa era em que tudo se multiplica, imagens, objetos, estímulos, promessas, o verdadeiro luxo é saber subtrair. É preciso coragem para deixar o silêncio falar, para desenhar o vazio com a mesma intensidade com que se desenha a forma. O essencial não é o que se vê, mas o que se sente.
No design e na arquitetura, simplificar não é retirar, é revelar. É encontrar o ponto em que a matéria e a emoção se encontram, onde a pedra, o couro, a cortiça, o vidro ou a cerâmica deixam de ser apenas materiais para se tornarem linguagem.
O meu trabalho sempre procurou esse equilíbrio: um minimalismo com alma, que os outros gostam de chamar Ninimalismo. O Ninimalismo não é um estilo, é uma atitude. É o gesto de quem procura autenticidade num mundo saturado de ruído. É o olhar que reconhece beleza numa imperfeição natural, num traço irregular, na sombra que muda ao longo do dia.
Quando desenhamos um espaço ou um objeto, não criamos apenas forma, criamos atmosfera, criamos silêncio. E é nesse silêncio que a emoção acontece.
Simplificar não é o oposto da complexidade. É a sua síntese. É compreender que a verdadeira sofisticação está naquilo que parece fácil, mas exige profundidade.
É o mesmo princípio que encontramos na Natureza, onde tudo é essencial, nada sobra. A onda que se desfaz na areia, o vento que atravessa a pedra vulcânica, o som do mar dentro de uma concha, são lições perfeitas de design.

No meu atelier, seja num hotel em Bali, num espaço em Lisboa ou num objeto inspirado nos calhaus da Madeira, a busca é sempre a mesma: criar lugares de pertença. Lugares que acolhem, que respiram, que nos devolvem a nós próprios. Simplificar é isso, retirar o excesso até ficar apenas o que é humano.
Acredito que o futuro do design não será o mais monumental, mas o mais sensível. Que o luxo não está no ouro nem na raridade, mas na capacidade de um espaço nos fazer sentir em casa no mundo.
O luxo é ter tempo. É poder respirar devagar. É olhar em volta e perceber que nada falta.
Simplificar é, no fundo, um ato de amor. Amor pela matéria, pelas pessoas, pela vida. É o caminho de volta à essência, onde o design deixa de ser apenas forma e se torna emoção.
Fotos: Ricardo Lopes
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.



