Uma percentagem ganhou popularidade nos anos recentes: os chamados 99%, isto é, todos aqueles que não somos ricos. O conceito foi usado por exemplo por Paul Adler, professor de gestão da Universidade do Sul da Califórnia que se assume como um autor marxista, no seu livro The 99% Economy. Mais recentemente outros autores têm feito […]
Uma percentagem ganhou popularidade nos anos recentes: os chamados 99%, isto é, todos aqueles que não somos ricos. O conceito foi usado por exemplo por Paul Adler, professor de gestão da Universidade do Sul da Califórnia que se assume como um autor marxista, no seu livro The 99% Economy. Mais recentemente outros autores têm feito uso do mesmo conceito para propor a reorganização do trabalho à volta do modelo cooperativo. Tendo eu próprio sido cooperante de mais que uma cooperativa, devo dizer que tenho muitas dúvidas de que o futuro passe por esta solução.
Mas o número que hoje me interessa é outro: 40%, na verdade os quase 42% de franceses que votaram em Marine Le Pen. Quem são estas pessoas? Será melhor meter já um cordão sanitário à sua volta? Ou antes se imporá a necessidade de perceber o que se passa de errado com as democracias liberais para que 40% das pessoas se deixem encantar por estes políticos populistas-nacionalistas.
Serão estes 40% de franceses fascistas? Supremacistas brancos? Neoliberais? Todos estes grupos combinados? Ou simplesmente pessoas tão zangadas com o sistema que não se importam de votar naqueles que prometem fazê-lo implodir? Pessoas dos extremos (esquerdo e direito) que transferem votos de um lado para o outro para dinamitar o centro? Em vez achar que sabemos quais os motivos destas pessoas e proceder ao seu julgamento sumário, não deveremos antes tentar perceber o significado do seu voto? Pensemos no assunto.
