Num mundo em que a tecnologia torna a presença cada vez menos necessária, o espaço físico ganha uma nova dimensão: a de tudo aquilo que só pode acontecer quando partilhamos um lugar. Se hoje podemos comprar praticamente tudo sem sair de casa, o que nos continua a fazer sair? Para quem gere e investe em espaços físicos, esta é uma questão de negócio. A digitalização alterou a relação entre necessidade e presença: a conveniência tornou-se ubíqua e, quando a presença deixa de ser necessária, tem de passar a ser desejada.
Há um paradoxo nesta evolução. O luxo, muitas vezes um bom barómetro de mudanças de comportamento, dá-nos uma pista: cresce a valorização do tempo, do espaço, da natureza, do bem-estar, da gastronomia e do contacto humano. Não é uma rejeição do digital, mas talvez uma consequência da sua abundância.
Quanto mais presente está a tecnologia, mais valor adquire aquilo que não conseguimos desmaterializar: a atmosfera de um lugar, o encontro, a descoberta, o tempo.

Da transação à relevância
Para o retalho, esta mudança é particularmente desafiante. Os espaços comerciais continuam a existir para vender e as marcas e a oferta permanecem no centro da proposta. Mas, se comprar já não exige presença, conquistar essa presença tornou-se parte do negócio. Obriga-nos também a rever o que entendemos por experiência. Nem tudo o que acrescenta estímulo acrescenta valor. Menos ruído e fricção, melhor serviço, mais conforto e espaço para parar também constroem a experiência de um lugar.
É neste contexto que a qualidade do espaço deixa de ser apenas uma questão estética e passa a integrar a proposta de valor. Disputamos share of wallet, mas disputamos também share of time. E o tempo tem uma exigência particular: obriga-nos a ser pertinentes e relevantes.
Ser relevante exige conhecer. Não conhecemos os milhões de clientes que nos visitam pelo nome, mas temos de conhecer profundamente as razões pelas quais nos escolhem. Os dados ajudam-nos a identificar padrões; a relevância está na capacidade de os interpretar e transformar em decisões.
É também aqui que começa a comunidade. Não como uma audiência a que se atribui um nome, mas como uma relação que ganha continuidade. Para um centro comercial, proximidade significa compreender os diferentes públicos, escutá-los e construir uma proposta capaz de evoluir sem perder identidade.
Pensamos, por isso, os centros como plataformas de encontro: entre pessoas, marcas e consumidores, gerações, visitantes e território; entre aquilo que alguém veio procurar e aquilo que não esperava encontrar. O acaso e a descoberta continuam a fazer parte da relação que estabelecemos com os lugares.

Um lugar que justifica a deslocação
Esta visão orienta os nossos dois centros, ainda que com expressões diferentes.
Em Vila do Conde, a expansão reforça o centro do negócio: mais área e novas marcas aumentam a atratividade e a capacidade competitiva, enquanto o investimento na arquitetura, lazer, restauração, serviços e conforto eleva a qualidade do lugar. Oferta e espaço reforçam-se mutuamente na construção de um destino pelo qual vale a pena fazer uma deslocação.
No Freeport, a relação entre oferta e lugar é ainda mais indissociável. A configuração ao ar livre dá-lhe uma identidade singular, que a transformação iniciada em 2017 tem vindo a reforçar. Hoje há uma nova etapa para descobrir: concluímos a remodelação da entrada e da Rua do Canal, chegaram novas marcas e renovámos espaços, reforçando simultaneamente a oferta comercial, a qualidade do espaço e o serviço. Procuramos que estas dimensões sejam tão valorizadas como as marcas que levam as pessoas até lá. Esta etapa consolida uma parte importante da ambição iniciada em 2017, mas não a encerra. A relevância de um lugar está também na sua capacidade de continuar a evoluir e a surpreender.

E depois do amanhã?
É quase inevitável imaginar um futuro dominado por mais tecnologia, dados, personalização e inteligência artificial. A pergunta mais interessante talvez seja outra: para quê? Conhecer melhor sem invadir. Simplificar sem desumanizar. Antecipar necessidades sem eliminar a descoberta. A tecnologia permite reconhecer padrões; transformá-los em pertinência continua a exigir contexto, interpretação e critério. Talvez o desafio do ‘depois do amanhã’ não seja, por isso, antecipar tudo o que a tecnologia nos permitirá fazer, mas saber escolher aquilo que vale a pena preservar. Num mundo onde estar presente é cada vez menos necessário, o verdadeiro valor estará nos lugares onde continuarmos a escolher estar.
Este artigo foi publicado na edição nº 34 da revista Líder, cujo tema é ‘Depois do Amanhã’. Subscreva a Revista Líder aqui.
Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a VIA Outlets.

