O empreendedorismo é um tema que tem vindo a ganhar cada vez mais força nos últimos anos. Muitas pessoas ficam fascinadas com a ideia de largar um trabalho que não gostam e começar o seu próprio negócio. Romantizam a ideia de que trabalhar por contra própria é ter uma vida mais folgada, com menos preocupações […]
O empreendedorismo é um tema que tem vindo a ganhar cada vez mais força nos últimos anos. Muitas pessoas ficam fascinadas com a ideia de largar um trabalho que não gostam e começar o seu próprio negócio. Romantizam a ideia de que trabalhar por contra própria é ter uma vida mais folgada, com menos preocupações e um verdadeiro mar de rosas. No entanto, este é um mar de rosas com espinhos. O que quero dizer com isto? Que devemos estar preparados para viver a jornada de empreender com todos os desafios, aprendizagens e transformações que acarreta. Se, por um lado, é extremamente gratificante podermos criar de raiz um projeto alinhado com as nossas paixões, por outro, devemos ter a consciência de que o caminho vai ter altos e baixos.
Vamos perceber quais são os tipos de comportamentos de empreendedores que, por alguma razão, não conseguem ter sucesso e a sua respetiva transformação para perfis comportamentais de sucesso no mundo do empreendedorismo.
Começando pelo que apelido de empreendedor solitário. No início, muitos empreendedores sentem-se sozinhos, perdidos e sem rumo. Tentam procurar algum conforto na família e nos amigos, mas o que acontece, muitas vezes, é que a própria família e amigos desconhecem tudo o que tem que ver com o empreendedorismo e ainda desmotivam mais o empreendedor. Seguem-se pensamentos castradores e surge a vontade de voltar para o antigo trabalho, onde o empreendedor não era feliz, mas tinha estabilidade e segurança. Para combater esta solidão, que é natural por ser um mundo novo, o empreendedor deve procurar os seus “semelhantes”. Normalmente o ser humano identifica-se por semelhança, ou seja, procura algo em comum. Então, quando o empreendedor procura apoio num amigo ou num familiar que não tem qualquer conhecimento sobre empreendedorismo, ele vai continuar a sentir-se desamparado. O ideal é procurar pessoas que têm os mesmos interesses e que o podem ajudar a tomar decisões mais acertadas.
Todos nós somos influenciáveis. Filtrar as pessoas com quem nos relacionamos pode ter um grande impacto na nossa vida. E isto leva-nos à transformação do empreendedor solitário em empreendedor influente. Quando percebermos esta bilateralidade da influência, começamos a viver de uma forma totalmente diferente. Não são só os outros que nos influenciam, nós também os influenciamos. Este é um poder único e que nos permite deixar uma marca no mundo. Reflita sobre como é que pode acrescentar valor à vida de outros.
A seguir, temos o que chamo de empreendedor ao sabor de vento. O próprio nome já o diz. É um empreendedor que não é rígido com a gestão do seu tempo. “Se não fizer hoje, faço amanhã”. Este é um pensamento muito recorrente nos primeiros tempos de um empreendedor. Ainda que haja uma maior flexibilidade, esta “elasticidade de horários” vai levar a um aumento da procrastinação. Somos educados para esperar que alguém nos diga o que fazer, então quando confrontados com uma realidade onde temos de gerir o nosso próprio tempo ficamos bloqueados. E aqui entra a solução: o empreendedor com foco. Se o dia tem 24 horas para todas as pessoas, então porque é que nem todos conseguem fazer o mesmo? A culpa não é do tempo, mas sim da pessoa. É um exercício interessante pensar em como é que aplicamos a nossa energia durante o dia. Por exemplo, conhece a regra dos dois minutos? Essa regra, descrita no livro “A Arte de Fazer Acontecer” de David Allen, diz-nos que, se uma tarefa demorar menos de dois minutos, devemos fazê-la logo. Mas se for mais do que isso, podemos deixá-la para mais tarde. Este simples pensamento permite-nos vencer a procrastinação e passar à ação.
Depois, há o que gosto de intitular como empreendedor de sofá, isto é, quando as ideias não saem do papel. Ainda que seja um passo assustador e que nos deixe fora da zona do conforto, passar à ação é a melhor forma de começar. O fracasso é visto de uma forma muito negativa pela sociedade. Porém, ainda que não nos traga boas sensações, permite a evolução. O medo vai andar sempre de mãos dadas com o empreendedor. Quando alguma coisa corre mal, devemos encarar isso como uma aprendizagem. Apesar de ser fácil ler estas palavras, esta forma de pensar deve ser trabalhada. Não tenha medo de errar, procure perceber mais sobre este assunto. Quando perceber que pode errar, vai ousar pensar mais alto e o medo vai ser muito mais pequeno que a sua vontade de ter mais e melhores resultados.
É neste momento que surge o empreendedor em ação. Quando, de facto, pomos em prática o que tínhamos apenas no papel, percebemos que os nossos medos eram insignificantes comparados com o valor que conseguimos gerar na vida de alguém. Sugiro que comece já a agir, mesmo que ache que não vai ter coragem. Se quer lançar um negócio, assuma um compromisso público. Com essa imposição, o seu cérebro vai sentir que tem de o fazer.
Terminamos com o empreendedor apaga fogos, aquele que quer chegar a todo o lado. Ter um negócio assemelha-se a ter um filho, no sentido em que temos que estar constantemente a cuidar dele, principalmente nos primeiros tempos. Queremos ser nós a fazer tudo porque pensamos que só assim é que vai estar tudo perfeito. A verdade é que para potenciar o crescimento de um negócio temos de encontrar pessoas em quem podemos delegar tarefas para que possamos fazer aquelas que só podem mesmo ser feitas por nós. As pessoas nascem com mais talento para umas coisas do que para outras. É preciso é saber tirar partido desses talentos.
Arranjarmos alguém que tem mais talento e até o faz mais rápido permite-nos poupar tempo e ainda ganhar qualidade no nosso negócio. Assim nasce o empreendedor líder. Alguém que tem a capacidade de se distanciar e perceber que, se o seu negócio não está a ir na direção certa, o primeiro passo é recuar e perceber o que não está certo.
Existem muitos mais perfis de empreendedores que poderíamos abordar.
Mas penso que já percebeu que este é um mundo de constante mudança e adaptação. É de realçar que este não é o mundo ideal para quem procura rotina e estabilidade. O empreendedor que quer ter sucesso deve estar preparado para enfrentar dificuldades e saber que o risco faz parte de um futuro promissor.
