Até ao dia das eleições legislativas, 30 de janeiro, a Líder vai publicar diariamente as opiniões e contributos de várias personalidades a quem foi lançado o desafio de responderem à pergunta: O que precisamos mudar? Homens, mulheres, jovens, seniores, caucasianos, negros, crentes e não crentes, qualquer que seja a orientação sexual terão a sua opinião […]
Até ao dia das eleições legislativas, 30 de janeiro, a Líder vai publicar diariamente as opiniões e contributos de várias personalidades a quem foi lançado o desafio de responderem à pergunta: O que precisamos mudar?
Homens, mulheres, jovens, seniores, caucasianos, negros, crentes e não crentes, qualquer que seja a orientação sexual terão a sua opinião na Líder e serão capa.
Na Líder a capa é de todos.

Isabel Abreu Lima é Gestora de Relações Públicas na Aveleda S.A. e jovem agricultora. Licenciada em Biologia, Mestre em Viticultura e Enologia, trabalhou na produção de vinhos do Douro e da Califórnia e mais tarde em comunicação e estratégia de marcas. Hoje, para além das Relações Públicas, tem o seu próprio projeto agrícola na região do Douro e ajudou a fundar o Conselho Consultivo dos Jovens Agricultores da CAP em 2021. Faz parte do Global Shapers Lisbon Hub desde Junho de 2020.
Hoje acordei e olhei para Portugal – para o país que, na sua pequena dimensão, oferece uma imensa diversidade, onde os valores da família são fortes e onde os laços humanos se manifestam mesmo nas decisões profissionais. Onde conseguimos, em poucos quilómetros, conhecer tantas paisagens, tradições, belezas diferentes. O país que me permitiu viver no campo e conhecer a cidade, que me mostrou que consigo estar próxima da família e dos amigos, mesmo dos que estão mais longe. O país que me formou, que me abriu portas, que me fez quem sou e onde quero ficar. Foi um bom primeiro olhar.
Mas depois de um momento de paragem olhei novamente, e vi outro cenário – um país desorganizado e desregrado, onde os salários para profissionais formados não têm uma evolução motivadora. Onde os impostos abafam trabalhadores e empresas, onde os serviços públicos se deterioram e onde a competitividade nacional parece não ser prioridade. Um país que, quero acreditar que por falta de planeamento e políticas erradas, se veio a inclinar para o litoral, desertificando o seu interior. Um País que vive tão distraidamente com as suas qualidades que se esqueceu de as valorizar e pôr a render, que perdeu o brio na sua eficiência e crescimento.
Quero e espero muito para Portugal, de tal forma que é difícil resumi-lo. Mas se tiver que eleger aquele que é o aspeto que considero mais determinante e preocupante para mim, é esta pendência para o litoral que teima em ser mais forte.
Hoje, em 2022, espero que em Portugal:
– haja cada vez mais incentivos para que os jovens que nasceram e cresceram no interior se sintam impelidos a voltar; mas também que as pessoas sem qualquer ligação ao interior encontrem desafios aliciantes e vantagens que os levem a querer fixar-se.
– que a distância da cidade possa ser vista como uma vantagem, abrindo portas à desaceleração, à proximidade com a Natureza, ao desenvolvimento onde ele é necessário, à dinamização de espaços e comunidades que tanto precisam dessa vida.
– que os médicos que tiveram o “infortúnio” de não conseguir vaga na cidade, encontrem novo rumo e vontade de acompanhar os utentes que estão mais distantes daquilo que a cidade oferece.
– que os professores não colocados nas áreas metropolitanas tenham gosto e motivação para acompanhar o percurso dos alunos dos meios rurais, sedentos de conhecimento.
– que os empresários encontrem incentivos para estabelecer as suas empresas fora dos grandes centros urbanos e que a criatividade dos novos negócios, cada vez mais digitais, facilite este movimento e abra portas ao cruzamento de novas culturas e linhas de pensamento.
– que a arte, a cultura e as tradições, tão sentidas no interior, sejam revitalizadas, valorizadas, comunicadas, e que se tornem não só um motivo de orgulho como de atração para quem não as conhece.
– que a dinamização dos sectores com mais ligação ao meio rural – como a agricultura e a indústria agro-alimentar – seja uma preocupação e uma realidade crescente. Que sejam criadas condições para a sustentabilidade alimentar do país e também para a valorização dos produtos endógenos de cada região.
– que haja um pensamento estratégico sobre a distribuição dos sectores, serviços e órgãos decisores em Portugal, de forma a que – à
semelhança de tantos outros países – haja uma dispersão de competências que leve naturalmente à dispersão das comunidades.
Tudo isto se condensa num propósito só, um propósito o que abraça o país todo.
Que Portugal assim saiba crescer e tornar-se mais coeso, mais rico, mais competitivo e mais completo, na plenitude do seu território.



