A inteligência artificial mudou radicalmente a forma como os negócios utilizam a internet e gerem a sua presença, mas já não basta dominar o SEO tradicional. Para permanecer visível e influente ao longo da decisão do consumidor, é essencial investir em Generative Engine Optimization (GEO) - otimização para mecanismos de respostas geradas por IA.
No rescaldo da utilização de redes sociais como meio de pesquisa e compra de produtos, os consumidores estão rapidamente a optar pela pesquisa baseada em IA (por meio de aplicativos como ChatGPT, Gemini, Copilot, Perplexity e Claude, além do Google AI Overview) para orientar as suas escolhas, avaliar marcas e, cada vez mais, descobrir novas marcas. O GEO surge assim como uma competência crucial para os negócios que se querem destacar nestes motores.
E os dados não mentem: atualmente, 44% dos consumidores utiliza pesquisas baseadas em IA, o que deverá gerar um impacto de 750 bilhões de dólares em receitas até 2028, de acordo com um estudo da McKinsey & Company. Seguem-se motores de busca como o Google e o Bing e depois a Amazon e o Walmart.

Adicionalmente, cerca de 50% das pesquisas no Google já têm resumos gerados por IA, um número que deve aumentar para mais de 75% até 2028, de acordo com análises de tendências.
Esta mudança no panorama do consumo faz com que as marcas despreparadas possam sofrer uma queda no tráfego dos canais de pesquisa tradicionais: algo entre 20% e 50%. As marcas devem tomar medidas e repensar a sua abordagem, tanto no próprio conteúdo digital quanto à pesquisa orgânica.
O que é o GEO?
O GEO é a prática de otimizar conteúdos digitais para que sejam utilizados como fontes confiáveis por mecanismos de IA generativa em vez de simplesmente aparecerem como links num motor de busca tradicional.
Enquanto o SEO tradicional procura posicionar páginas na lista de resultados (SERP), o GEO foca-se em ser citado diretamente nas respostas que modelos de IA geram quando um utilizador faz uma pergunta. Aparecer nesses resultados pode significar visibilidade imediata e autoridade, influenciando diretamente a escolha do consumidor.
Este novo paradigma tem duas implicações claras:
Ferramentas de IA – como assistentes virtuais e motores de busca alimentados por modelos de linguagem – estão a ultrapassar mecanismos de pesquisa tradicionais como fonte primária de informação;
A visibilidade das marcas já não depende apenas de aparecer no topo dos resultados de pesquisa, mas de ser citada ou usada pelas próprias respostas de IA.
Adicionalmente, cerca de 50% das pesquisas no Google já têm resumos gerados por IA, um número que deve aumentar para mais de 75% até 2028, de acordo com análises de tendências.
Porque pode ser fundamental para o seu negócio?
A pesquisa indica que os consumidores estão a confiar cada vez mais em respostas geradas por IA, com uma parte significativa a utilizar estas respostas como primeira e preferida fonte de perceção antes de qualquer clique em sites tradicionais.
Este comportamento gera um risco real: o tráfego orgânico tradicional pode cair e muitas marcas já começam a ver a sua influência reduzida se não forem referenciadas nas respostas de IA. A transição para mecanismos de IA pode até significar o utilizador não visite diretamente qualquer site, um fenómeno conhecido como zero-click search.
Guia essencial de boas práticas de GEO
Para as empresas que querem manter e ampliar a sua visibilidade neste novo contexto, existem algumas orientações práticas:
1. Diagnóstico de performance em IA
Antes de mais, é essencial perceber onde e como é que uma marca é citada pela IA. Ferramentas próprias de análise de AI search ajudam a identificar lacunas e medir a relevância atual.Ao avaliar a visibilidade e o sentimento em plataformas de pesquisa baseadas em IA, as marcas podem identificar as principais fontes que impulsionam os resultados e comparar o desempenho atual em LLMs relevantes.
2. Adaptação da estratégia de conteúdo
O conteúdo deve ser desenhado não só para SEO clássico, mas para responder claramente às perguntas dos utilizadores, com linguagem natural e estruturada em tópicos que os modelos de IA conseguem compreender e usar.
Por exemplo, em setores como bens de consumo embalados e serviços financeiros, mais de 65% das fontes em pesquisas baseadas em IA são editoras (revistas e microsites), conteúdo gerado por utilizadores e sites afiliados, de acordo com o estudo da McKinsey.
3. Multiplicidade de fontes
A IA baseia-se em fontes diversas incluindo conteúdo próprio, third-party, user-generated content e afiliados, pelo que o foco deve incluir estratégias de presença e amplificação nesses canais. É crucial fortalecer a credibilidade e a relevância, melhorar a estrutura da informação e garantir que o conteúdo próprio e de terceiros seja otimizado para LLM.
4. Métricas GEO e equipas multifacetadas
Decidir onde investir requer estabelecer a IA como uma prioridade estratégica e formar uma equipa multifuncional que abranja marketing, SEO e experiência do cliente.
É importante estabelecer KPIs específicos para GEO (por exemplo, frequência de citação por IAs relevantes) e criar equipas multifacetadas.
O futuro do marketing digital é a IA integrada
À medida que os LLMs evoluem e incorporam cada vez mais fontes, inclusive anúncios e respostas automatizadas, a otimização para motores de IA será ainda mais crítica, potencialmente redesenhando não apenas a visibilidade, mas também a forma como as marcas guiam decisões de compra no futuro próximo.
Com a mudança em curso, investir em GEO é mais do que uma tendência – é uma exigência estratégica para quem quer ser encontrado onde os consumidores realmente perguntam e decidem.



