Vou recorrer a uma fábula – os chimpanzés e as bananas – de forma a refletirmos se nas nossas ações (e.g., organizações, dia a dia) somos de todo livres ou não. Numa experiência com chimpanzés (geneticamente apresentam um cariótipo semelhante ao nosso em cerca de 98%), um grupo de cientistas colocou cinco numa jaula. No […]
Vou recorrer a uma fábula – os chimpanzés e as bananas – de forma a refletirmos se nas nossas ações (e.g., organizações, dia a dia) somos de todo livres ou não.
Numa experiência com chimpanzés (geneticamente apresentam um cariótipo semelhante ao nosso em cerca de 98%), um grupo de cientistas colocou cinco numa jaula. No meio da jaula, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Numa primeira fase da experiência, os chimpanzés lá se entendiam para se revezarem com a escada e alcançarem assim as bananas (estas nunca faltavam e todos os chimpanzés se mostravam satisfeitos). Numa segunda fase da experiência, os cientistas, depois de colocarem o cacho de bananas sob a escada, atacavam com um canhão de água gelada pressurizada, não o elemento que subia as escadas, mas todos os outros chimpanzés, quatro, que ficavam no chão. Este processo foi repetido por alguns dias, e algo espantoso começou a ocorrer. Apesar dos chimpanzés estarem famintos, e o cacho de bananas permanecer sob as escadas, se algum chimpanzé procurasse subir a mesma, era atacado de forma violenta pelos restantes chimpanzés.
Porquê este comportamento? O chimpanzé que tentasse subir as escadas iria fazer com que os outros que estavam no chão fossem castigados, então, os chimpanzés tomaram a decisão livre (?!) de não deixar nenhum chimpanzé subir as escadas.
Numa terceira fase da experiência, um dos chimpanzés do segundo grupo era substituído por um novo chimpanzé (que não sabia nada acerca do que se havia passado na primeira e na segunda fase da experiência). Quando colocaram o cacho de bananas sob a escada, este novo chimpanzé logo que se colocou na escada para alcançar as bananas foi castigado pelos seus companheiros, não havendo necessidade em utilizar os canhões de água. Substituíram os outros quatro chimpanzés, um a um, e o comportamento de agressão continuou a ocorrer. Nenhum destes novos chimpanzés subiu a escada, apesar de não terem recebido água gelada pressurizada por um canhão nesta terceira fase da experiência. Os cientistas ficaram com um grupo de cinco chimpanzés que, mesmo, nunca terem tomado um banho frio, continuavam a castigar de forma violenta naquele chimpanzé que tentasse ficar com as bananas.
Quantos de nós agimos como os chimpanzés novos? Que nunca sendo verdadeiramente sancionados pelos motivos que originaram um determinado hábito, passam a comportar-se como tal?
Estúpidos os chimpanzés (homens!), não? Ou talvez nunca sejamos livres de todo.

Por Ana Pinto, Professora Universitária e Consultora em Recursos Humanos

