A mensagem de que vivemos uma emergência climática tem sido tão repetida que se pode tornar inoperante. E, no entanto, importa não perder de vista o problema. Os alertas da comunidade científica têm sido repetidos e apenas os excessivamente otimistas (dir-se-ia com a síndrome de Poliana) e os indefetíveis das teorias da conspiração poderão continuar […]
A mensagem de que vivemos uma emergência climática tem sido tão repetida que se pode tornar inoperante. E, no entanto, importa não perder de vista o problema. Os alertas da comunidade científica têm sido repetidos e apenas os excessivamente otimistas (dir-se-ia com a síndrome de Poliana) e os indefetíveis das teorias da conspiração poderão continuar a manifestar ceticismo. Perante a magnitude do problema, eis a questão: o que fazer?
Ninguém, obviamente, terá a resposta para problemas desta magnitude. Mas podemos tentar encontrar respostas, imperfeitas, limitadas e falíveis, mas acionáveis. Deste modo, como regenerar o planeta, sem entrar na via muskiana de criar alternativas em Marte? Importa considerar, desde logo e por muito óbvio que tal pareça, que a sustentabilidade é uma questão humana e não planetária. Poder-se-á mesmo dizer que as alterações climáticas são a resposta de Gaia à interferência humana, uma forma de ajustamento que não nos interessa ver prosseguida.
Como atuar? As organizações podem abraçar os objetivos de desenvolvimento sustentável como guias para a ação. Muitas já o estão a fazer, mas muito mais pode ser feito, de forma genuína. Casos como o escândalo Dieselgate na Volkswagen mostram que o abraço dos ODS é por vezes formal e ritualístico, uma forma de relações públicas sem substância.
As organizações podem ainda criar contextos favoráveis à mudança. Por exemplo, não impondo, mas favorecendo o consumo de menos carne subsidiando refeições vegetarianas desejavelmente nutritivas e saborosas – e favoráveis à saúde e ao planeta. Podem estimular a prática do exercício físico. Trata-se de coisas pequenas e insuficientes, mas necessárias. A transformação digital pode também alavancar novos hábitos de trabalho com menos deslocações.
A par destas pequenas transformações, serão necessárias grandes mudanças. É necessário um novo paradigma energético. A invasão da Ucrânia pela Rússia putinista, uma terrível fonte de destruição, poderá ser um estímulo para nos ajudar a curar o vício petrolífero. O desenvolvimento do Toyota Mirai, um carro movido a hidrogénio, poderá simbolizar o início de uma nova etapa. Experiências no âmbito da “carne celular “antecipam a possibilidade de comermos carne sem criarmos e sacrificarmos animais. Todos os setores, como a arquitetura e a agricultura, desenvolvem novas soluções com impactos positivos.
Estas são mudanças difíceis porque desafiam o status quo de vários setores. A alternativa é continuar a fazer tudo da mesma maneira esperando resultados diferentes. O que, como já alguém disse, corresponde à definição de estupidez. O tempo é, pois, de regeneração. Realisticamente, mas na direção da utopia para a tornar realidade.
Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder. Subscreva a Líder AQUI.

