Vamos exercitar os 3 Cs? Constrição, Confiança e Comunicação

Ao viver pessoalmente esses momentos de viajar de avião durante a pandemia, fazer testes COVID, ficar em quarentena, esperar com expectativa que o voo não seja cancelado, uso constante de máscara e estabelecer uma comunicação virtual na esperança de que o laptop e o telemóvel não falhem, senti que passei por um processo de “contrair” para depois “expandir”.

Imagino que muitos dos leitores também tenham passado por isto, mesmo que não tenham literalmente apanhado um voo. E ao atender clientes constatei que muitos de nós estamos a passar por esta fase dos 3Cs.

Num primeiro momento, as nossas vidas contraem antes de expandirem. Ao conversar com amigos, verifico que os mesmos sentimentos são semelhantes: “Estamos a trabalhar em nós próprios espiritualmente, a fazer o bem no mundo, seguindo sonhos e perguntando-nos porque ainda enfrentamos constrições de todos os tipos: financeiro, emocional e físico”.

Então ponderei que talvez seja desta maneira que as coisas funcionam, como uma lagarta, que se confina no casulo antes de expandir as suas asas e voar. Muitas vezes as coisas parecem tensas, e é fácil entrar em pânico,  mas como a lagarta, não há nada que possamos fazer neste momento, a não ser ser pacientes e perseverantes.  Faço a analogia com o nascimento de uma criança descendo pelo canal do parto – podemo-nos sentir pressionados, empurrados e muito desconfortáveis, mas se nos lembrarmos que estamos a caminho de nascer numa nova realidade, encontraremos forças para continuar.

E é neste momento de entrega, no centro de nossos próprios corações, que está à disposição de confiar no desconhecido à medida que percorremos o nosso caminho. E, através da abertura, saber comunicar com os nossos pares, amigos, parentes, chefias e equipa.

Falamos muito sobre a comunicação não-verbal, assertiva, não-violenta, virtual e esquecemo-nos às vezes daquela comunicação que converte a nossa voz interna em externa. Acontece que muitas vezes não temos a coragem de falar o que pensamos e nem de usarmos a nossa voz para enviar os desejos ou sentimentos dos nossos corações, do nosso mundo interior para o exterior. E assim aparece aquele medo de darmos um passo ousado para fazer acontecer.

Aos poucos, passo a passo, podemos remover o medo do que os outros possam pensar e a expectativa do que os outros deveriam entender. Neste momento libertamo-nos, a nós mesmos e aos nossos pensamentos, da chamada “escravidão da câmara mental” e projetamos os nossos desejos no écran do mundo.

Portanto, da próxima vez que percebermos que temos uma escolha sobre como comunicar, podemos escolher usar a nossa voz externa e observar o nosso poder criativo em ação. A nossa melhor hipótese de conseguir o que precisamos é comunicarmos especificamente, convertendo a nossa voz interna em voz externa de uma forma assertiva e não violenta. Ela poderá delinear a nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros e conquistar a confiança e colaboração das pessoas, como um canal aberto que permite o diálogo e a intercolaboração.

Aprender a expressar-se de forma verbal, não-verbal e virtual também conta para o sucesso das relações interpessoais tanto nas empresas como no seio familiar, com colegas e amigos. Respeitar o momento de cada um, sem ser invasivo com mensagens e cobranças em qualquer momento do dia.

Sobre este processo dos 3 Cs seguem algumas dicas:

Constrição: As coisas não estão a funcionar, parecem tensas, sentimento de pânico: É importante passar pelo processo de Constrição. Permita-se entrar no casulo por um momento para meditar, pensar, ponderar e preparar-se para voar.

Confiar: Aprenda a ouvir a sua voz interior, recorra aos seus princípios e ouça a sua essência. Aprenda a entender-se a si e ao outro.

Comunicar:  À medida que abrir o seu caminho escolha uma comunicação assertiva e não-violenta. Seja um bom intermediador, preste atenção à sua fala e procure uma linguagem honesta, clara e concisa. A evolução contínua e o uso de feedback também são pontos importantes para não ferir os direitos e individualidade dos outros. E principalmente, “acerte no momento” e dê sentimento ao discurso.

Procure a sua evolução contínua!


Por Elza Baptista Filha, Coach, Membro da Comissão Executiva do GPC da APG e Líder do Comité de Relações Internacionais ICF Portugal

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