A indústria do desporto tem um potencial imenso como catalisador do crescimento económico, da criação de emprego e do desenvolvimento nacional. Esta área é ainda pouco explorada no continente africano e revela-se extremamente importante, na medida em que pode criar muitas oportunidades e fortificar a relação com a Europa. Este foi o tema abordado no […]
A indústria do desporto tem um potencial imenso como catalisador do crescimento económico, da criação de emprego e do desenvolvimento nacional. Esta área é ainda pouco explorada no continente africano e revela-se extremamente importante, na medida em que pode criar muitas oportunidades e fortificar a relação com a Europa.
Este foi o tema abordado no debate «Sports: Fostering Integration and Sustainable Development», que contou com a presença de Luís Alves Monteiro, Presidente da Associação Olímpica Nacional de Portugal, João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco Português de Investimento (BPI), Nicolas Pompigne-Mognard, Fundador e Chairman do APO Group, e Susana Feitor, antiga Atleta Olímpica Portuguesa, com moderação de José Carlos Lourinho, Jornalista do Jornal Económico.
Este painel teve lugar no Eurafrican Forum 2024, com o tema Africa: The Next Chapter Partnering for Growth, e aconteceu no dia 15 de julho, na Nova SBE.
Um continente jovem e repleto de oportunidades
A economia do desporto representa uma parte considerável do PIB mundial, contribuindo com cerca de 5%, mas a sua presença no PIB de África permanece comparativamente baixa, com apenas 0,5%.
Nicolas Pompigne-Mognard afirma que «o desporto é definitivamente um negócio, mas um conceito ainda novo em África». «Há alguns anos, a NBA lançou a Liga Africana de Basquetebol. É a primeira vez que a NBA está a lançar uma liga fora da América do Norte e não a lançaram na Europa nem na Ásia», explicou.

Há um ecossistema que está a crescer e isso deve-se em grande parte à demografia do continente, que é um dos mais jovens. O fundador do APO Group afirma que «até 2100, 40 em cada 100 habitantes serão africanos», contabilizando cerca de metade da juventude do planeta.
Para João Pedro Oliveira e Costa, todos estes fatores são a prova de que a Europa precisa mais de África do que o oposto, reforçando a importância destas pontes.

Este facto não pode ser ignorado pelas organizações e empresas, que devem tirar partido desta vantagem, uma vez que estudos indicam que um aumento de 1% no crescimento económico está correlacionado com um aumento de 2% na criação de emprego. Ao investir estrategicamente no setor do desporto, os países africanos podem estimular a expansão económica e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios do desemprego.
Uma visão além das vantagens socioeconómicas
O desporto pode servir como uma ferramenta poderosa para a diplomacia, facilitando a comunicação, a representação e a negociação em plataformas nacionais e internacionais. Ao tirar partido da diplomacia desportiva, as nações africanas podem reforçar os laços diplomáticos, aumentar o poder de influência e promover a compreensão intercultural.
Luís Alves Monteiro, considera que «o principal objetivo do desporto é a responsabilidade social, sendo a prática desportiva apenas um meio para atingir um fim». Em África, existe uma enorme oportunidade por ser um continente com uma demografia muito dinâmica.

A filosofia Ubuntu, tipicamente africana, caracteriza o espírito do desporto e de cooperação entre a Europa e África ao defender o espírito de equipa e entreajuda. «Trabalhamos e existimos porque existem outras pessoas, e este é o verdadeiro espírito do desporto», refere.
Susana Feitor também considera o desporto como uma ferramenta essencial no campo da inclusão e vai mais longe, descrevendo-o mesmo como um fator unificador. Portugal tem tido um papel transatlântico crucial, criando pontes desportivas com os países lusófonos.

Já para João Pedro Oliveira e Costa, tudo começa na educação. «Se tivermos melhor educação, mais pessoas educadas, teremos melhores oportunidades para toda a gente. Nem sempre existe essa educação em casa ou na escola, mas é possível atingi-la através do desporto», afirma.
«Portugal tem uma das taxas mais baixas de desporto escolar» o que acrescenta dificuldades nesta estratégia desportiva para o país. Ainda assim, o CEO do BPI considera que este é o caminho a seguir para trabalhar e promover a literacia desportiva.
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