Desde a infância que nos é incutida uma urgência em decidir qual é o nosso caminho. “O que queres ser quando fores grande?”, perguntam quando ainda mal sabemos o que é ser pequenino. No fundo, mais que não é perguntarem-nos: como vais contribuir? Que problemas vais resolver? Qual vai ser a tua causa? As opções […]
Desde a infância que nos é incutida uma urgência em decidir qual é o nosso caminho. “O que queres ser quando fores grande?”, perguntam quando ainda mal sabemos o que é ser pequenino. No fundo, mais que não é perguntarem-nos: como vais contribuir? Que problemas vais resolver? Qual vai ser a tua causa? As opções abundam: artes, línguas, ciências, tecnologia. E, num mundo onde cada vez mais a informação é acessível, as opções multiplicam-se. Se antes, o fardo carregado era o da obrigação e permanência da decisão, agora é o de saber que estamos a tomar “a” decisão certa. Embrenhamo-nos em testes psicotécnicos, análises e pesquisas, tudo na senda de encontrarmos a nossa causa.
Ora para mim, uma eterna curiosa de tudo o que me rodeia, escolher um só sabor neste enorme buffet que é o mundo nunca me satisfez o apetite. Continua sem satisfazer. Estudei artes, ciências e tecnologia, gestão, e dedico grande parte do meu tempo livre às línguas e humanidades. Sou uma generalista até ao tutano – e gosto disso. Aprender sobre temas aparentemente distintos, pode ajudar a criar pontes que não são tão óbvias quando temos uma visão laser.
À medida que vou aprendendo, recolhendo informação sobre temas diferentes, vou também estabelecendo ligações entre tópicos aparentemente disjuntos. Navegar assim pelo mundo, com uma postura curiosa e de aprendizagem constante, faz com que resolver problemas seja um exercício estimulante. É precisamente isso que tenho procurado fazer, construir soluções, desenhar alternativas e pensar criativamente para resolver problemas.
Neste momento, faço-o sobretudo através de uma ferramenta que acredito permitir escalar impacto: a tecnologia. Creio que a tecnologia se assemelha à arte em algumas vertentes: muitas vezes a criação advém de um processo solitário, mas que acaba por impactar muitos indivíduos. Através da promoção da educação tecnológica e da implementação de sistemas inovadores, como a inteligência artificial (IA), é possível resolver problemas coletivos e capacitar cada cidadão. A tecnologia serve muitas vezes como meio de amplificação de capacidades e equalizador de oportunidades. Com sistemas de software, podemos ajudar um médico a efetuar o seu trabalho usando sistemas de IA para detetar cancro, por exemplo, ou conectar jornalistas com comunidades remotas, criar sistemas de educação personalizados para cada aluno, ou até ajudar no combate da crise climática.
Com a tecnologia é possível mergulhar de disciplina em disciplina para dar respostas a problemas específicos com um alcance muito abrangente. É por isso que faço da minha missão criar e fomentar a criatividade até onde o meu alcance permite exercer a minha curiosidade.
BIO
Atualmente, Raquel trabalha como Tech Specialist na Microsoft, onde desempenha um papel de capacitação empresas, organizações e indivíduos a alcançarem seus objetivos por meio do uso estratégico da tecnologia.
Com um mestrado em Business Analytics pela NOVA School of Business and Economics, a Raquel Bilro concentrou sua pesquisa na área de Ética de Inteligência Artificial (IA). Tendo a sua tese explorado questões relacionadas com a responsabilidade e impacto social da IA, destacando a importância de considerar aspetos éticos.
Além disso, Raquel é uma entusiasta do World Economic Forum e está envolvida na iniciativa Global Shapers, que reúne jovens líderes comprometidos em moldar um futuro mais sustentável e inclusivo.
Este artigo faz parte do Repto ‘Quais são as tuas causas?’, lançado aos jovens da Comunidade Global Shapers.
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A Voz do Silêncio: o jornalismo como ferramenta de mudança


