A inteligência artificial figura em todas as tendências e previsões para 2026. Ainda assim, 55% dos líderes considera que os projetos de IA agravam o cansaço e não aliviam a carga de trabalho, revelando uma desconexão entre a ambição tecnológica e a preparação das equipas para a integrar no quotidiano. A Emergn, consultora de transformação […]
A inteligência artificial figura em todas as tendências e previsões para 2026. Ainda assim, 55% dos líderes considera que os projetos de IA agravam o cansaço e não aliviam a carga de trabalho, revelando uma desconexão entre a ambição tecnológica e a preparação das equipas para a integrar no quotidiano.
A Emergn, consultora de transformação organizacional, revela no estudo The Global Intelligent Delusion que o entusiasmo em torno da IA está a criar expectativas difíceis de acompanhar. A investigação, que envolveu 751 organizações de grande dimensão, evidencia também que as iniciativas de transformação estão a esgotar as equipas e a comprometer o desempenho das organizações.
IA acelera competitividade, mas gera cansaço
Apesar de 82% dos líderes defenderem que a transformação é crucial para manter a competitividade, o modo como estes processos estão a ser conduzidos está a gerar cansaço e frustração às equipas. Metade dos colaboradores afirma já ter sentido fadiga devido às mudanças constantes, 45% diz ter sofrido burnout e 36% admite ponderar sair da empresa por não conseguir acompanhar o ritmo.
«Demasiadas empresas confundem atividade com progresso. A transformação não deve sobrecarregar as pessoas, mas sim fortalecer as suas competências. Neste momento, estamos a assistir ao contrário. Isto já não é apenas um desafio de liderança, é um problema de modelo de negócio», afirma Alex Adamopoulos, fundador e CEO da Emergn.
Equipas estão mal informadas e com baixa formação
A falta de clareza tem sido outro elemento crítico neste processo. Cerca de 31% dos profissionais sente-se mal informado sobre os objetivos das transformações em curso, 42% garantem não ter recebido formação suficiente e 41% apontam falhas de liderança como causa direta para o insucesso de iniciativas anteriores.
Para Alex Adamopoulos, estes números mostram que muitas empresas ainda encaram a transformação como algo que impõem às pessoas, e não como um processo construído com elas. «As organizações estão a avançar rapidamente para novas tecnologias sem garantir a preparação humana necessária para as sustentar. Isto não é transformação digital, é exaustão digital», sublinha.
O estudo conclui que esta fadiga generalizada representa um risco estratégico para o negócio. As empresas que não equilibrarem tecnologia, comunicação e capacitação correm o risco de perder talento, competitividade e foco.
Não há mérito num projeto bem-sucedido que deixa as equipas exaustas, desiludidas ou à procura de outro emprego. Se a mudança é constante, a comunicação e o desenvolvimento de competências também têm de ser.
O estudo recolheu respostas de executivos com mais de cinco anos de experiência em funções de direção, provenientes de organizações com mais de mil colaboradores e receitas superiores a 500 milhões de dólares anuais, incluindo CEOs, CTOs, COOs e líderes de transformação operacional.


