Num contexto de riscos em rápida evolução, três em cada quatro (74%) pequenas e médias empresas (PME) a nível global estão desnecessariamente expostas a riscos por não terem cobertura de seguro suficiente.
A Hiscox, seguradora especializada em soluções de seguro para empresas e particulares, publica o primeiro relatório global Hiscox Protection Gap Report, que destaca o problema da falta de segurança entre as PMEs.
As pequenas e médias empresas são o verdadeiro motor da economia, representando 50% da economia global.
No entanto, este novo estudo, baseado nas respostas de 6.250 proprietários de pequenas e médias empresas do Reino Unido, EUA, França, Alemanha, Espanha e Portugal, revela que:
- O risco está no topo das preocupações dos proprietários de pequenas e médias empresas: 92% dos inquiridos admite que possíveis ameaças ao negócio lhes tira o sono à noite. As três principais preocupações são roubo ou danos materiais (34%), ciberataques (33%) e problemas ou lesões no local de trabalho (32%);
- No entanto, apesar disso, muitas pequenas e médias empresas continuam sem coberturas essenciais: 55% das PME apresentam uma lacuna na sua proteção por não possuírem seguros básicos fundamentais, como responsabilidade civil profissional, responsabilidade civil geral, seguro de bens e responsabilidade de empregador. Esta falta de proteção deixa-as vulneráveis a reclamações potencialmente muito dispendiosas, incluindo danos corporais, prejuízos materiais, ações legais de clientes ou queixas de colaboradores por maus-tratos – riscos que, segundo o estudo, estão entre as maiores preocupações dos proprietários;
- A falta de conhecimento e compreensão está a deixar muitas empresas expostas: quase dois terços (65%) dos proprietários das pequenas e médias empresas inquiridos não sabem explicar corretamente o que cobre o seguro de responsabilidade civil geral. Este número sobe para 77% no caso do seguro cibernético e para 80% no seguro de responsabilidade civil profissional;
- Muitas empresas continuam a adotar a abordagem de “contratar e esquecer” relativamente aos seguros: cerca de um terço dos proprietários inquiridos não revêem as suas apólices há mais de três anos, o que significa que qualquer aumento em receitas, número de colaboradores, oferta de produtos ou canais de distribuição durante esse período, pode deixá‑los expostos a novos riscos ou a riscos mais elevados;
- A demora na contratação deixa a maioria das empresas exposta nos momentos mais críticos: quase 1 em cada 4 proprietários (24%) inquiridos só adquiriu seguro depois de começar a obter lucro, enquanto 23% aguardaram até se dedicarem ao negócio a tempo inteiro antes de colocarem a cobertura em vigor.
Principais recomendações para as pequenas e médias empresas
1. Compreender o panorama de riscos: as pequenas e médias empresas enfrentam uma grande variedade de riscos, por isso, mapear estes riscos através de uma auditoria ou plano de gestão de riscos pode ser muito útil. Este plano deve refletir tudo o que pode correr mal, tanto no respetivo setor como nas operações diárias, desde a interação com clientes, dependências da cadeia de fornecimento, até às exigências regulamentares.
Entre os sinistros mais comuns nas pequenas e médias empresas estão a perda ou roubo de equipamentos e quedas e acidentes nas instalações. Ao identificar todos os riscos operacionais, financeiros, legais, reputacionais e cibernéticos, tomar medidas precoces para os mitigar e implementar procedimentos de contingência, pode construir rapidamente uma maior resiliência face aos principais riscos.
2. Mantenha-se atualizado sobre as novidades do setor e do ambiente de riscos: muitas empresas enfrentam desafios semelhantes, por isso, é fulcral partilhar conhecimento e obter novas perspetivas através do contacto com fontes de confiança, participação em fóruns e associações do setor e monitorização de alterações regulamentares relevantes.
3. Reavalie regularmente as suas necessidades no que toca ao seguro: nem todas as empresas precisam de todos os tipos de seguros. Recomendamos rever a cobertura anualmente ou antes, se o negócio crescer um 20% em receitas, número de colaboradores ou operações, para garantir que o seguro acompanha o ritmo do crescimento da empresa. Isto ajuda a evitar subseguração e a pagar por coberturas que já não são necessárias. Se tiver dúvidas, pode contactar um mediador de seguros, que poderá ajudá-lo a obter exatamente o que precisa, ou podemos orientá-lo sobre os tipos de cobertura que uma empresa do seu tamanho e setor normalmente necessita.
Não se esqueça de considerar os limites da apólice – muitas pequenas e médias empresas fixam o valor do seguro em 1 milhão de Euros. Embora possa parecer suficiente, este limite pode ser rapidamente atingido em caso de danos significativos a bens da empresa ou custos legais elevados, pelo que é fundamental analisar cuidadosamente e ter em consideração os cenários mais extremos.
«O nosso relatório revela dois pontos essenciais. Primeiro, mostra que existe uma lacuna real de proteção nas PME – uma realidade que, até agora, nunca tinha sido devidamente estudada ou quantificada e que queremos trazer para o centro da discussão. Em segundo lugar, confirma que o seguro continua a ser uma garantia de tranquilidade na gestão de um negócio. Num momento especialmente desafiante para o tecido empresarial, as PME precisam, mais do que nunca, de apoio. E é fundamental que tenham presente que o seguro está lá para as proteger quando mais precisam, sobretudo face a riscos que, até aqui, têm passado despercebidos,» destaca a seguradora.


