O mercado de trabalho em Portugal mantém uma trajetória de robustez e resiliência, segundo os dados mensais analisados pela Randstad Research com base nos dados do INE, IEFP e Segurança Social. Em março de 2026, o país voltou a ultrapassar os 5,3 milhões de profissionais empregados, com um crescimento anual superior a 114 mil pessoas.
Esta dinâmica positiva é particularmente visível entre as gerações mais novas. O desemprego jovem não só recuou naquele mês, como apresenta uma queda homóloga de 13,6%, sinalizando uma integração mais rápida de novos talentos no mercado laboral.
Paralelamente, a taxa de desemprego em Portugal, segundo as estimativas provisórias mensais do INE, mantém-se estável nos 5,8%, refletindo um equilíbrio entre a oferta e a procura de emprego, mesmo num contexto de crescimento da população ativa, que já ultrapassa os 5,6 milhões de pessoas.
Desemprego recua mais de 10% e recuperação é transversal
De acordo com os dados do IEFP, em março de 2026, o desemprego registado em Portugal apresentou uma evolução global positiva, fixando-se num total de 295.756 pessoas. Este resultado representa uma descida de 10,2% em relação ao período homólogo. A análise detalhada por grupos profissionais revela que a recuperação é transversal, com o desemprego a subir em oito profissões específicas.
O mercado tem demonstrado necessidades de mão de obra em áreas no setor primário e bases operacionais: setores como a agricultura e as pescas de subsistência viram o seu número de desempregados cair 41,3%, enquanto o pessoal de apoio administrativo, analistas de dados, estatísticas e contabilidade, assim como a construção também registaram quebras significativas (recuos entre os 30,2 e os 16,8%). A forte redução em áreas como a agricultura e a construção indica que a escassez de mão de obra nestes setores está a forçar uma integração rápida dos candidatos disponíveis.
Desemprego sobe em cargos de direção e funções específicas
A análise detalhada revela um aumento do desemprego em oito profissões, das quais cinco com variações mais expressivas em termos percentuais, mas com alguns casos residuais em termos absolutos. Estas variações concentram-se em funções de gestão e defesa.
O maior crescimento percentual verificou-se no ‘outro pessoal das forças armadas’ (+16,5%), seguido pelos ‘sargentos das forças armadas’ (+15,4%). De forma relevante, cargos de alta direção também integram este grupo restrito de subidas: ‘diretores de serviços especializados’ (+11,8%), ‘diretores comerciais’ (+11,2%) e ‘gestores/dirigentes de empresas’ (+8,1%). Este fenómeno sugere que as organizações podem estar a atravessar processos de reestruturação interna ou otimização de quadros superiores.
Finalmente, o mercado tem registado uma evolução positiva nos rendimentos. A remuneração média declarada por trabalho dependente fixou-se nos 1.565,30€, o que representa um ganho de 5,2% face ao mesmo período do ano passado e uma queda mensal de 1,1%. Os dados demonstram ainda várias assimetrias regionais, com Lisboa a liderar os salários médios (1.801,72€) e Beja no extremo oposto (1.292,84€).
Como afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, «mais do que a robustez dos números, o que março nos revela é uma mudança qualitativa no mercado. A queda acentuada de 13,6% no desemprego jovem é o indicador mais animador, pois demonstra que as empresas estão a conseguir integrar as novas gerações num momento de transformação tecnológica. O desafio agora passa por garantir que este dinamismo é acompanhado por uma valorização contínua das competências, assegurando que Portugal mantém a sua atratividade e resiliência a longo prazo.»


