Na segunda edição, o ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia propõe uma reflexão em torno do tema Desejo, explorando-o enquanto força impulsionadora da ação humana e das dinâmicas coletivas.
Entre 13 e 28 de junho, Cascais vai encher-se de Filosofia e alimentar o desejo de pensamento. Um Festival que na sua estreia, em 2025, revelou como os gregos «mestres imperecíveis fizeram com inequívoca proficiência», levar a Filosofia para a comunidade e o encontro com o público. A analogia feita por Salvato Teles de Menezes, Presidente da Fundação D. Luis I, aconteceu no âmbito da apresentação à imprensa realizada na passada semana no Centro Cultural de Cascais, um local que é também um «tesouro filosófico».
O antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade foi no século 16 uma das primeiras escolas de filosofia do país, agregando uma ordem de monges contemplativos. Nas palavras de abertura, Catarina Guerra Barosa, fundadora e curadora do Festival, esclarece quaisquer dúvidas sobre o local onde realizar o primeiro Festival Internacional de Filosofia em Portugal. «Aqui fazia-se alquimia no século 16. Para quem se questione de hoje em diante porquê Cascais, a resposta é: foi aqui que tudo começou há cinco séculos!».

E adianta: «Este é um projeto criado para levar a Filosofia e a prática do pensamento a todos, independentemente da sua classe social, género, religião, etnia ou qualquer outra categorização feita pelo ser humano». Partilhou a sua ambição de colocar Cascais no mapa como Concelho da Filosofia, com o reconhecimento da Unesco, tal como acontece em Óbidos com a Literatura.
Para além dos jornalistas, da equipa da Associação Espanto e do Presidente da Fundação D. Luis I, Nuno Piteira Lopes e Luis Almeida Capão, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais marcaram presença neste almoço.
Um Festival que devolve a Filosofia à comunidade
Salvato Teles de Menezes refere-se à primeira edição do Espanto, sobre o tema do Medo, realizada em junho de 2025, recordando-a não só como «uma estreia feliz, mas como um acontecimento cultural de inequívoco relevo internacional» que reuniu cerca de 1.350 participantes e mais de 30 oradores e especialistas nacionais e internacionais.
«O Espanto nasceu com uma ambição rara: retirar a filosofia dos espaços estritamente académicos e devolvê-la à cidade, ao encontro público, à experiência comunitária e à vida concreta. Distribuído por vários espaços emblemáticos do concelho, o Festival conseguiu articular excelência curatorial, com notável capacidade de integração territorial e social, incluindo sessões em bairros comunitários, o que deu ao evento uma dimensão pública e cívica absolutamente anormal.»
Na edição inaugural do Festival, o Medo serviu para convocar diversos públicos e formatos, entre debates, palestras, entrevistas, performances artísticas e conversas abertas, o que «confirmou um trabalho de programação particularmente sóbrio, capaz de cruzar pensamento, arte, ciência e participação comunitária sem perder densidade intelectual», conclui.

Nuno Piteira Lopes, apresenta Cascais como a «casa do pensamento e do diálogo, para nos ouvir e refletir sobre aquilo que são os dias de hoje, mas sobretudo o que serão os dias do amanhã». Pela sua dimensão, falar sobre Filosofia é falar em diversas áreas como o conhecimento, ciência, natureza, e o Homem em si. Neste encontro, o presidente da Câmara Municipal de Cascais destaca a Filosofia como «um guia para a vida das pessoas, e das comunidades, sobretudo da comunidade de Cascais, dos cascalenses de todas as gerações».
«A Filosofia deverá ser um caminho para a verdade e para a liberdade. Nas circunstâncias mais difíceis, é a vida que tem de se adaptar à Filosofia e não a Filosofia que se adapta à vida. E em Cascais, esta é a mensagem que tentamos passar todos os dias aos nossos cidadãos, e aos nossos jovens, nas nossas escolas e instituições. Uma mensagem que lhes dê firmeza, espírito crítico, mas sobretudo que lhes continue a dar liberdade. Eu sei que é um caminho difícil, mas acredito que é possível. Com mais uma edição deste evento, Cascais torna-se o berço da reflexão, mas sobretudo da verdade»

Cascais é o berço da Filosofia em 2026
O Festival Espanto arranca nos dias 13 e 14 de junho com Voluntariado Filosófico em bairros sociais do concelho e, em simultâneo, Workshops de Filosofia para Crianças. No dia 25, terá lugar o jantar oficial de abertura In Vino Veritas, no Centro Cultural de Cascais (Conversas da Gandarinha) que vai reunir todos os filósofos, curadores, pensadores e parceiros do festival. O filósofo homenageado na edição de 2026 é Viriato Soromenho Marques, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Entre os dias 26 e 28 de junho, destaque para as presença de Didier Eribon, escritor e filósofo francês, autor da obra Regresso a Reims; Minna Salami, autora e analista feminista; Richard Shusterman, professor da Florida Atlantic University e fundador do Centro para Corpo, Mente e Cultura; Sebastian Sunday Grève, filósofo e professor assistente na Universidade de Pequim; Gilles Lipovetsky, filósofo francês e ensaísta; Gonçalo M. Tavares; e João Constâncio, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa.
A estes juntam-se também Nick Willing, realizador, produtor e argumentista britânico, filho da pintora Paula Rego; Samantha Rose Hill, escritora, investigadora e tradutora norte-americana; Maria Luísa Ribeiro Ferreira, filósofa e professora universitária; Marta Faustino, doutorada em Filosofia; Onésimo Teotónio Almeida, escritor e filósofo português radicado nos Estados Unidos; Madalena Sá Fernandes, cronista, escritora e autora; Manuel Curado, Professor de Filosofia na Universidade do Minho; Inês Bolinhas, Doutorada em Filosofia pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa; David Erlich, Professor de Filosofia no ensino secundário; Cláudia Clemente, arquiteta de formação, trabalha em escrita, fotografia e realização; e Anabela Mota Ribeiro, jornalista, escritora e apresentadora, formada em filosofia.
Programação paralela
Entre 25 e 28 de junho, decorre o ESPANTO OFF – encontros à margem das atividades programadas. A organização vai lançar uma agenda aberta ao público, com 8 horas disponíveis, por dia, para a marcação de um encontro gratuito com os filósofos que aderirem a esta iniciativa. Os encontros de uma hora, acontecem em três locais distintos com a participação de três pessoas em simultâneo. Os participantes devem inscrever-se antecipadamente no site do evento e indicar um tópico ou pergunta a abordar.
O dia 26 iniciar-se-á com uma Caminhada Filosófica pelos pontos de interesse do concelho de Cascais, a que se seguirão Lições de Filosofia (Curateus and Philosophers Lectures) no Centro Cultural de Cascais, com sessões interativas conduzidas pelos curadores e filósofos convidados. Para terminar o dia, decorrerá a Noite dos Desejos na Sala da Cisterna, na Cidadela de Cascais, com debate filosófico, atuação de Dela Marmy, artista musical natural de Trás-os-Montes e Beira Baixa, brindando-se de seguida com o ‘Chá das Onze’.
No dia 27, na Casa das Histórias Paula Rego, será apresentada a peça Hamlet, encenada por Marco Medeiros, com base na tradução da obra de William Shakespeare, feita por D. Luís I. Segue-se uma conversa sobre O Desejo em Hamlet com a presença de um dos tradutores de Shakespeare, a atriz Beatriz Batarda e um filósofo.
O podcast O Princípio da Inquietação, da Associação Espanto, já disponível nas plataformas do grupo Impresa (Expresso, SIC e SIC Notícias), contará com uma gravação ao vivo no Festival.
O evento é organizado pela ESPANTO – Associação para o Desenvolvimento do Conhecimento, uma entidade portuguesa sem fins lucrativos, dedicada à criação e dinamização de iniciativas educativas, sociais e culturais que promovem o pensamento filosófico no seu sentido mais amplo e o aproximam da comunidade.
A agenda completa do ESPANTO pode ser consultada aqui.
Os bilhetes estão disponíveis aqui.


