Andam por aí ventos apocalípticos e desta vez, ao contrário do estudado por H. Schwartz em Os Finais de Século (livro publicado em tempos pela Difusão Cultural), o fim dos tempos não coincide com uma mudança de milénio.
O novo livro de Miguel Esteves Cardoso, que apanha sempre bem o espírito do tempo, recebeu o título de Afinal o apocalipse não é para já. Este agosto a imprensa internacional já tinha dado nota de que um grupo de tech chiefs havia identificado um abrigo numa zona remota da Argentina para escapar ao apocalipse. Trata-se, diz-nos o Financial Times, do rancho Wamami, em Mendoza.
A notícia levanta alguns pontos curiosos. Por um lado, o facto de a necessidade de refúgio ter sido identificada pelos tech chiefs que anunciam o apocalipse que eles próprios dizem estar a ser cozinhado. Curioso grupo este… Por outro lado, note-se que Mendoza é a capital argentina do vinho, o que talvez tenha pesado na escolha. Na verdade, o apocalipse poderá estar a ser preparado há mais tempo pela maneira como mudamos o clima, dia após dia.
Sobre o Armagedão da IA, tomo nota das palavras de Nuno Moniz, professor em Notre Dame e especialista em IA. Entrevistado pelo Público, diz que o extermínio da humanidade é distração e um pouco de teatro. Francamente, já não se percebe o que pensar, a não ser que andamos a colocar o mundo nas mãos de gente insana.

