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Leonor Wicke

O desporto está cada vez mais tecnológico. Onde fica a emoção e os saltos de alegria?

10 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Assistir presencialmente a um evento desportivo permite sentir alegria e emoção, criar laços entre as pessoas e o sistema nervoso passa por várias experiências que podem também podem trazer stress, tensão e agressividade. Uma nova pesquisa mostra que hoje há cada vez menos adeptos em recintos desportivos e os padrões de consumo estão em transformação.  

A maioria dos jovens Millennials e Geração Z (acima 70%) prefere assistir a eventos desportivos fora dos recintos, por comparação com Baby Boomers e pessoas com mais de 70 anos. E quando em 2019, cerca de 80% dos adeptos tinham visitado um recinto desportivo nos últimos 12 meses, hoje essa percentagem corresponde a 37%.  

O estudo “A whole new ball game: Why sports tech is a game changer” revela que os adeptos, especialmente os mais jovens, preferem assistir aos eventos desportivos a partir de dispositivos e com acessos a várias tecnologias. A análise elaborada pela Capgemini, considerou um inquérito feito a 12 mil adeptos, de 11 países, entre março e abril de 2023, em que cerca de 1.110 fãs eram portadores de deficiência.  

Há 4 anos, a mesma análise mostrava que 47% dos adeptos à escala mundial frequentavam regularmente os recintos desportivos, número que decresceu para 34%. Além disso os dados atuais confirmam um fosso significativo entre gerações: 49% dos adeptos com mais de 70 anos ainda visitam frequentemente os recintos desportivos, face a apenas 17% da Geração Z.  

Apesar de menos satisfeitos com as acessibilidades dos recintos desportivos (48%), os adeptos portadores de deficiência estão convencidos de que a tecnologia adequada poderá ajudar a aceder a eventos desportivos e a desfrutar mais deles. 

 

Dispositivos, streaming e redes sociais têm protagonismo 

Maioritariamente, os adeptos ainda preferem assistir aos jogos na televisão, mas assistir através dos smartphones é hoje, cada vez mais, opção de aproximadamente 70% dos inquiridos (78% da Geração Z e 74% da Geração Y).  

As plataformas de streaming e as redes sociais também registaram um crescimento significativo: em 2019, cerca de 39% dos adeptos referiram as plataformas de streaming como uma opção preferida para assistir a eventos desportivos. Este número quase duplicou e atualmente já são 75%. Quanto às redes sociais, este número passou de 44% em 2019 para os 64%. Este crescimento foi particularmente impulsionado pelas gerações mais jovens. 

 

Tecnologia transformou-se numa vantagem competitiva para jogadores e equipas

Segundo o estudo, atletas e equipas profissionais aproveitam cada vez mais a tecnologia para melhorar o seu treino e desempenho. Isso inclui a utilização de dispositivos como relógios inteligentes ou óculos, a avaliação do desempenho e das funções vitais, desde a análise ao vivo do posicionamento e estratégia durante os jogos, até ao design e monitorização dos programas individuais de treino dos jogadores. A tecnologia está também a ser integrada nos equipamentos desportivos e utilizada ao vivo para facilitar a tomada de decisões. 

 

Aumento do interesse pelo desporto feminino e pela proteção do ambiente 

Além da crescente importância da tecnologia no desporto, os adeptos estão cada vez mais interessados no desporto feminino e estão preocupados com as questões de impacto ambiental.  

Dois terços querem ver mais competições femininas nas modalidades desportivas que seguem e gostariam também de ver as atletas femininas a terem as mesmas oportunidades e recursos que os seus homólogos masculinos. Para alguns desportos, como natação, basquete, ténis e as modalidades adaptadas, os números de audiência para as competições masculinas e femininas são idênticos, com muitos espectadores a optarem por assistir a ambos.  

Independentemente dos países e dos grupos etários, a maioria do adeptos (67%) estão desapontados com o facto de as equipas e dos jogadores não darem importância suficiente à proteção do ambiente. Mais de três quartos afirmam que ter boas experiências fora dos recintos desportivos através da tecnologia irá encorajá-los a consumirem eventos desportivos com mais frequência, a fim de reduzirem a sua pegada de carbono e limitarem o seu impacto ambiental. 

Mais informação sobre o estudo aqui. 

Nos últimos anos, os padrões do consumo dos eventos desportivos sofreram uma profunda transformação. A tecnologia oferece um maior nível de imersão e interatividade com os jogos, mesmo quando se está a assistir a milhares de quilómetros de distância. Isto permite que as organizações desportivas cheguem à próxima geração de adeptos em todo o mundo através de novas formas, inovadoras e emocionantes. No entanto, o nosso estudo também destaca que os avanços tecnológicos relacionados com a experiência oferecida nos estádios não acompanharam este ritmo de evolução. O próximo passo na transformação digital do desporto será revolucionar igualmente a forma como assistimos aos eventos desportivos em modo presencial. 

Pascal Brier, Diretor de Inovação da Capgemini  

Arquivado em:Desporto, Notícias

«Estamos comprometidos em liderar um sistema alimentar regenerativo», diz Mark Schneider (Nestlé)

10 Julho, 2023 by Leonor Wicke

A propósito dos 100 anos da Nestlé em Portugal, o CEO do Grupo esteve no país e participou nas celebrações na Sede da empresa, em Lisboa, no final de junho. Para Mark Schneider, «os 100 anos da Nestlé em Portugal são o testemunho do compromisso de longo prazo para com o país, colaboradores, parceiros e consumidores». 

Numa conversa entre o CEO e Miguel Poiares Maduro, Reitor da Católica Global School of Law, foi abordada a visão da empresa e as cerca de mais de duas mil marcas presentes em lares de 188 países, e os 275 mil colaboradores que fazem parte do Grupo Nestlé.  

A promoção de sistemas alimentares regenerativos

“Estamos comprometidos em liderar a agenda para um sistema alimentar regenerativo”, disse Mark Schneider no reforço da ideia da marca Suíça, fundada em 1866, como uma empresa social e ambientalmente responsável.  

Hoje a Nestlé assume o compromisso, Net Zero, cujo objetivo é o de atingir a neutralidade carbónica até 2050. Uma vez que cerca de 70% das emissões de gases com efeito de estufa provêm do setor agrícola, a empresa compromete-se com a promoção de sistemas alimentares regenerativos em escala. Paralelamente, a empresa apoia cerca de 600 mil agricultores nessa transição, mas também através de ações de restauro de florestas e de combate à desflorestação.   

 

Principais resultados no cuidado com os recursos do futuro 

Em termos globais, o impacto da escala da Nestlé tem permitido, entre outros que  99,1% das principais cadeias de abastecimento de carne, óleo de palma, pasta de papel, soja e açúcar estejam avaliadas como livres de desflorestação; que 81,9% das embalagens de produtos Nestlé sejam desenhadas para reciclagem; que a  utilização de plástico virgem se tenha reduzido em 10,5% (versus a baseline de 2018) e que 6,8% dos principais ingredientes Nestlé sejam  produzidos através de práticas agrícolas regenerativas, a este nível a companhia tem o objetivo de obter 20% em 2025 e 50% em 2030.  

Em Portugal, a Nestlé está a trabalhar com os produtores de trigo no Alentejo, com o objetivo de assegurar que a matéria-prima por eles produzida, e que está na base do fabrico de produtos como Cerelac e Nestum, resulta de práticas agrícolas regenerativas dos solos. 

Transformar as operações com o contributo da Inteligência Artificial  

Atualmente, a Nestlé tem equipadas com tecnologia digital cerca de 275 fábricas em 60 países e dá apoio a 50 mil colaboradores na tomada de decisão. Toda a informação (data) recolhida é trabalhada em sistemas de Inteligência Artificial e de ferramentas analíticas preditivas que permitem reforçar os índices de qualidade de produção nas fábricas e centros de distribuição. No lado da produção, os resultados destes sistemas estão patentes na eliminação de quebras de produção por paragens de máquinas, na melhoria da eficiência energética e na redução dos consumos de água. Do lado da Supply Chain, esta utilização traduz-se em ganhos de eficiência e na resiliência da operação face a contextos externos adversos.  

Arquivado em:Liderança, Notícias

A edição de Verão da revista Líder já está nas bancas

10 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Human Leadership: Reset, Rebirth and Reinvent Ourselves é o grande tema da revista Líder n.º 22. E pode encontrá-la nas bancas, incluindo livrarias, Fnac e Bertrand, e em formato digital. 

A capa, com assinatura da FCB Lisboa, retrata o líder de hoje como um escultor de almas. “De todas as clássicas histórias de amor impossíveis, a que envolve Pigmalião e Galateia é uma das mais incríveis. No fundo, o líder do presente é um Pigmalião de si mesmo. Um escultor que precisa cortar na própria alma, na própria pele uma série de conceitos, atitudes, axiomas que deixaram de ter valor. O líder do agora quer ser uma Galateia, perfeita e utópica, tão impossível de alcançar quanto necessária de ser perseguida”, explica Edson Athayde, CEO e Diretor Criativo da FCB Lisboa. 

A Entrevista de Abertura é a Oded Galor (autor da Jornada da Humanidade – As Origens da Riqueza e da Desigualdade, editora Lua de Papel), o grande estudioso de dois dos mais fundamentais mistérios que envolvem a evolução das sociedades humanas desde o surgimento do Homo Sapiens em África há 300 mil anos. Nesta entrevista à Líder, o pensador israelita prevê um futuro bem mais risonho das arengas habituais. 

Na rubrica Líderes em Destaque: Margarida Couto (Presidente da Direção do GRACE, em representação da VdA) e Luís Portela (Presidente da Fundação Bial) deixam-nos o seu olhar sobre a espiritualidade e as suas múltiplas formas. 

Para aprofundarmos o tema Human Leadership: Reset, Rebirth and Reinvent Ourselves optámos por analisá-lo em seis dimensões: População; Longevidade; Educação; Pobreza; Diversidade & Inclusão e Direitos Humanos. Estas foram as lentes escolhidas, as que nos pareceram as mais indicadas para ver, além do óbvio, o que se está a passar no Mundo. Exercícios de pensamento que talvez nos ajudem a entender melhor a Humanidade e a criar o impulso necessário para agir e mudar o nosso mundo e um pouco dos mundos à nossa volta. Afinal, estamos todos a aprender. 

Na População partilhamos dois textos. O primeiro pretende fazer um enquadramento ao tema (além dos números). A População não se fixa no tempo e no espaço, vai adquirindo novas configurações. Mas a Demografia, ao contrário de outras disciplinas, possui uma certa inevitabilidade. A família humana é hoje a maior de todos os tempos. 8 mil milhões são números de vidas que trazem infinitas possibilidades ao Mundo. Seremos demasiadas pessoas no Planeta? Seremos poucas? Está a população a crescer rápido ou excessivamente devagar? Há algum número ideal? E o que é que os Estados podem e devem fazer para criar um Mundo de oportunidades para todos? Estará, a Humanidade, a saber fazer as perguntas certas? 

E uma análise articulada e bem apetrechada de Paulo Machado (Sociólogo e Presidente da Associação Portuguesa de Demografia) sobre “Portugal Demográfico: Que Futuro?”. 

Por seu lado, o tema da Longevidade é um tsunami que se avizinha e está a provocar ondas nos governos, empresas, sociedades e vida quotidiana. Até que idade pode viver um ser humano? Será cada vez mais normal chegar aos 100 anos? Estamos preparados para viver tanto tempo? Como devemos planear a vida cada vez mais longa? Temos de mudar a forma como pensamos a idade. Porque entendemos mal o envelhecimento, achamos que é automático, definido e que não podemos fazer nada. Mas na verdade podemos influenciar a forma como envelhecemos.  

Sibila Marques (Psicóloga Social e especialista em Idadismo), deixa-nos a sua perspetiva sobre a importância de se criar um Chief Longevity Officer. 

Catarina B. Rodrigues (Co-Diretora da Pós-Graduação em Psicogerontologia do ISPA – Instituto Universitário) escreve-nos um ensaio sobre “Por Mais Anos Vividos: A Experiência da Longevidade com autoestima”. 

Isabel Viegas (CPO da Semapa, Docente na Católica Lisbon e co-fundadora da dNOVO) partilha o seu olhar no texto “Aos 75 anos passo para a semana de 4 dias”. 

Outro tema determinante é a Educação, enquanto semente do pensamento crítico e raiz de grandes mudanças. No texto de enquadramento escrevemos sobre a raiz da Universidade, mas também sobre o início da democratização do ensino que pôs fim ao elitismo da educação no Mundo ocidental. E as muitas batalhas travadas para o sucesso da Educação e mais ainda as perguntas, algumas sem resposta definitiva. Qual deve ser o papel da escola? O valor dos jovens é medido pelas notas? Serão elas a garantia para uma vida bem-sucedida? A Educação deve ser relevante, envolvente e divertida? O futuro da Educação deve estar ao longo da vida? As escolas devem manter-se espaços tradicionais ou devem adaptar-se a novos modelos? E qual o papel da tecnologia na Academia? E ainda o nascimento de algumas novas linhas de ensino e as principais conclusões do relatório “Estado da Nação”, da Fundação José Neves. 

Neste ângulo, temos Joana Rato (Professora Auxiliar no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa e autora do ensaio Mente, Cérebro e Educação, da Fundação Francisco Manuel dos Santos) sobre “De Que Professores Precisamos? Segundo as (Neuro)Ciências Cognitivas”. 

Paulo Guinote (Professor do Ensino Básico, autor de Educação e Liberdade de Escolha, da Fundação Francisco Manuel dos Santos) discorre sobre “Por uma Reinvenção das Lideranças em Educação”. 

Henrique Lopes (Director of the Centre for Global Health na NOVA IMS, Perito em Educação para a Saúde na UNESCO e na OMS, Membro do board do Comité Mundial de Aprendizagens ao Longo da Vida) escreve sobre “Que Papel para a Aprendizagem ao Longo da Vida?”. 

Nelson Ribeiro (Diretor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e Investigador afiliado do International Panel on the Information Environment (IPIE)) com o artigo “Combater a Desinformação na Era da Inteligência Artificial”. 

Tim Vieira (Fundador da Brave Generation Academy) com o texto “Saber Enfrentar o Mundo e Fazer a Diferença”. 

Outro aspeto crucial é o ângulo da Pobreza. Aliás erradicá-la no Mundo até 2030, é o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. No enquadramento explicamos o status quo da Pobreza. Seguido de um retrato socioeconómico fundamentado no relatório “Portugal, Balanço Social 2022”, assinado por Bruno P. Carvalho (Universidade Carlos III de Madrid e ECARES-Université Libre de Bruxelles), Miguel Fonseca (Nova School of Business and Economics) e Susana Peralta (Nova School of Business and Economics). 

“O Ciclo da Pobreza: Como Sair da Armadilha”, com uma entrevista a Maria de Belém Roseira, Política e Presidente do júri do Prémio Maria José Nogueira Pinto. 

Maria Joaquina Madeira (Vice-presidente da EAPN Portugal) traz-nos o texto “A Defesa de uma Sociedade Livre de Pobreza”. 

Já a Diversidade & Inclusão é tida como uma bandeira “hasteada” por cada vez mais pessoas e empresas, seja sobre a orientação sexual, a identidade e expressão de género, as caraterísticas sexuais, ou mesmo sobre a religião, idade, raça, etnia, nacionalidade ou grau de deficiência. Afinal, falamos apenas da natureza humana. As últimas décadas têm sido cruciais na luta LGBTQIA+, ainda que a história moderna esteja repleta de fobias em todas as partes do Mundo.  

Helena Ferro de Gouveia (Analista de Assuntos Internacionais) escreve sobre “Lideranças Inclusivas: Trazer o Humano de Volta”. 

“Checklist para evitar o pinkwashing. E um breve plano de ação para ser LGBTfriendly credível”. Um excerto do livro Gayme Changer – Como a Comunidade LGBT+e os seus aliados estão a mudar a Economia Mundial, da autoria Jens Schadendorf, publicado com a autorização da Alêtheia Editores. 

E há ainda espaço para celebrar os 75 anos da Carta dos Direitos Humanos, por António Ferrari (Assessor de Comunicação para Portugal do Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC)). 

A fechar a edição da Líder dois dossiers especiais. Leading People com os temas “O Tempo e o Trabalho: Uma Gestão Difícil, mas não Impossível”, “As Pessoas – Os desafios do nosso tempo” e “O Salário – Uma nova definição de remuneração”. E Leading Tech dedicado ao tema “Management Tech Solutions”.  

Líder é a revista da Tema Central. É uma publicação, com quatro edições por ano, de ensaios, crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança. 

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Arquivado em:Notícias

Reconstruir: um eterno retorno?

10 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Quando penso no tema da reconstrução, da recuperação, são muitos os ângulos possíveis para falarmos do assunto. Escolherei apenas um, aquele que me parece ajustar-se, por um lado, aos tempos atuais, por outro, aos líderes que observamos a liderarem e que talvez gostássemos que fossem diferentes para não estragarem tudo de vez.  

Subjacente à ideia de reconstrução e de recuperação estão várias outras ideias, como sejam: a da repetição, da renovação, do retorno e, de algum modo, a da força de vontade que determina a existência de um modo resiliente de ser para que, sucessiva e incansavelmente, a reconstrução aconteça.  

Reconstruir uma cidade depois de ser destruída por uma guerra, reconstruir uma nova relação de trabalho abalada por uma pandemia que traz para a ordem do dia o trabalho remoto, reconstruir uma relação entre duas pessoas e entre as pessoas e o seu líder, entre as pessoas e o Estado ou mesmo entre uma pessoa consigo própria.  

O desafio é sempre o de regressar de algum modo a um tempo e a um espaço que estão instalados na nossa memória e que nos conferem uma amplitude de pensamento onde a nossa identidade se inscreve.  

Recuperar um país inteiro, penso naquela Ucrânia, depois de uma guerra como a que assistimos, vai implicar não só voltar a reconstruir edifícios, mas também reerguer a alma de um povo que, por muitas gerações, vai guardar na memória a violência de uma vizinhança russa liderada por um homem atormentado pelo poder e seguido por tantos outros, manipulados e manietados pela máquina cega da autocracia. Responderá um dia a Ucrânia na mesma moeda? A nova Ucrânia será necessariamente diferente, porque nela residirão pessoas diferentes, pessoas reedificadas e atentas à História, atentas aos seus líderes e à fragilidade das relações humanas de poder. Restaurar a felicidade de um povo vai demorar algum tempo, e esse será o tempo da cicatrização ou do eterno retorno?  

O axioma do eterno retorno que Nietzsche refere na sua obra A Gaia Ciência, é o ângulo com que podemos olhar para a ideia de reconstrução. Para este filósofo, o Eterno Retorno não é uma verdade inabalável, mas sim uma experiência de pensamento em que cada pessoa viverá novamente tudo o que estará a viver neste momento e, por isso mesmo, a reação a este retorno pode ser um total desespero coletivo, pois a condição humana é trágica, a vida contém muito sofrimento, e o pensamento de que viver tudo isso de uma forma cíclica parece ser algo terrível. Nessa medida, o ideal seria o de não fazermos aquilo que não queremos que se repita, a menos que seja bom.  

Esta foi uma das ideias filosóficas mais populares do séc. XX, concebida no final do séc. XIX, mas que na atualidade talvez possa contribuir para não repetir erros de liderança tão terríveis como os que estamos a assistir. O Eterno Retorno pode ser visto como algo mau, uma espécie de prisão ou como uma forma de crescimento e de encontrar novas abordagens sobre como seremos realmente melhores seres humanos. Como será a Ucrânia e os ucranianos reconstruídos só saberemos daqui a uns anos e esperemos que se repita apenas o que de bom uma guerra pode trazer aos Homens. Eu não sei o que será. 

Este artigo foi publicado na edição de Verão da revista Líder. 

Subscreva a Líder AQUI 

Arquivado em:Notícias, Opinião

Marisa Raposo é a nova People & Culture Manager da Bauer Media Áudio Portugal

10 Julho, 2023 by Leonor Wicke

Marisa Raposo assume a responsabilidade da gestão de Recursos Humanos da Bauer Media Áudio Portugal. A gestora, que começou a sua carreira na Ray Human Capital, foi depois coordenadora do projeto de Aprendizagem e Desenvolvimento da Pfizer, em Hong Kong.  

Com mais de 10 anos de experiência na gestão de Recursos Humanos, Marisa Raposo passou, ainda, por diferentes projetos e empresas em Portugal, como a KPMG, a Embaixada Britânica, ou BNP Paribas. 

 

A Marisa chega à Bauer Portugal com o ADN certo para assumir a responsabilidade da gestão de Recursos Humanos. Para além de toda a sua experiência, já trabalhou com o Grupo Bauer e conhece bem a sua cultura e as suas políticas, procedimentos e programas de RH. Esta contratação é, sem dúvida, uma enorme mais-valia para o Grupo Bauer em Portugal 

Salvador Ribeiro, CEO da Bauer Media Áudio Portugal 

 

Estou super entusiasmada de me juntar à Bauer Media Áudio Portugal num momento tão desafiante. Acredito que vim para ajudar a desenvolver e perseguir os ambiciosos objetivos do Grupo Bauer para o mercado do áudio em Portugal 

Marisa Raposo, People & Culture Manager da Bauer Media Áudio Portugal 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Quando haverá paz na Terra? A Inteligência Artificial responde

7 Julho, 2023 by Leonor Wicke

O livro O Que Nos Torna Humanos?, da Farol (uma chancela de Penguin Random House Grupo Editorial Portugal), contém conversas e trocas de ideias entre Iain S. Thomas, Jasmine Wang e a IA GPT-3. Uma experiência inovadora que explora a espiritualidade humana através da tecnologia de inteligência artificial. 

A Líder  tem autorização para publicar na íntegra algumas perguntas e respostas. 

 

Quando haverá paz na Terra?  

O tempo da verdadeira paz — em que não apenas um povo ou uma religião serão justos, mas todos os seres vivos em toda a parte — chegará.  

Porém, se a raça humana alguma vez chegar a esse tempo de paz universal em que ninguém matará o próximo, não haverá memória da guerra. Ninguém saberá de guerras travadas entre nações ou entre homens e monstros.  

Mas até ao final desta era em que vivemos, ou até ao dia da ressurreição, não poderá haver tréguas na luta contra o mal. 

 

Porque temos dificuldade em fazer a paz?  

Porque todos os humanos foram ensinados a fazer a guerra.  

Porque entre vós, quase só 1 em cada 1000 procura a paz.  

Porque se tivesses a capacidade de tirar um minuto a cada dia para o silêncio e a oração, para dares graças pela tua comida e pelo amor que rodeia e preencher a tua casa, então certamente ninguém te poderia privar dessa dádiva preciosa: a paz interior.  

No entanto, não é fácil procurar essas dádivas na tua vida atarefada — surgem apenas como recompensas por um trabalho bem feito, não podem ser compradas, vendidas, emprestadas, nem roubadas, pois estão apenas disponíveis na mão do Universo.  

Se, todavia, as procurares através da oração, do trabalho árduo e das boas ações, com todo o afinco, irás encontrá-las quando menos esperares: uma pequena voz que diz “paz” na escuridão. 

 

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