Amanda Hay, da Universidade de Nottingham Trent, apresentou há meses a ideia de que devemos almejar líderes adequados. Por líderes adequados refere-se a pessoas com as qualidades das pessoas normais. Falamos, interpreto, de pessoas com uma dose de bom senso, ligação à terra, sentido de responsabilidade e um bom entendimento do que significa governar. Teresa […]
Amanda Hay, da Universidade de Nottingham Trent, apresentou há meses a ideia de que devemos almejar líderes adequados. Por líderes adequados refere-se a pessoas com as qualidades das pessoas normais. Falamos, interpreto, de pessoas com uma dose de bom senso, ligação à terra, sentido de responsabilidade e um bom entendimento do que significa governar.
Teresa de Sousa, a analista imprescindível, refere-se a esta adequação como a força de Joe Biden, um americano normal defensor da normalidade. Os adequados também percebem que o poder deve encerrar uma certa gravitas, uma pose de responsabilidade que é o oposto do espalhafato de Trump, da arrogância imperialista de Putin ou do sentido messiânico de muitos dirigentes do nosso tempo. Também cá faz falta esta gravitas, por vezes trocada por episódios de telenovela rocambolesca. Um governo sem uma dose de gravitas desgoverna-se.
Num tempo de líderes anormais (que se dizem excecionais), esta normalidade é uma característica refrescante. Precisamos de gente assim, normal e adequada. A alternativa são figuras atraídas pelo poder e pela intoxicação que ele provoca. O tema é tratado por Brian Klaas no seu excelente Corruptíveis, sobre as pessoas que se deixam tentar pela magia do poder. Essas, se possível, deixemo-las à distância.


