Uma lista de acontecimentos deste nosso Verão que se vai esgotando: 1. José Sócrates foi-se queixar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Depois protagonizou o show que todo o país viu. Creio que todos sentimos alguma vergonha alheia. 2. Os Anjos vieram lembrar-nos que para ser figura pública é preciso ter casca grossa. Foram […]
Uma lista de acontecimentos deste nosso Verão que se vai esgotando:
1. José Sócrates foi-se queixar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Depois protagonizou o show que todo o país viu. Creio que todos sentimos alguma vergonha alheia.
2. Os Anjos vieram lembrar-nos que para ser figura pública é preciso ter casca grossa. Foram anjinhos. Ou então foram maquiavélicos. O futuro dirá.
3. O governo anunciou o fecho da FCT. O anúncio gerou uma onda de comoção. O país precisa de reformas, mas sempre de outras reformas – ou de reformas para os outros
4. Precisamos de imigrantes. Por isso, saibamos recebê-los com hospitalidade, respeito e regras. Ou seja, com humanidade. É isso que compete aos políticos fazer. Criar condições para que o país que recebe esteja à altura. Ler os nomes de crianças que acolhemos é desrespeitoso. Se quer ser respeitado o Chega tem de se dar ao respeito.
5. Os imigrantes têm de saber avaliar a sua condição. Como refere Maria João Marques no seu excelente artigo no Público (16/7), “um imigrante tem especial obrigação de retribuir positivamente ao país e à comunidade que o acolheu” – um facto que muita comunicação social esqueceu na ânsia de ver extrema-direita onde ela existe e onde não existe.
6. Manuel Falcão alertou na sua página no Negócios sobre os TVDE que infestam as estradas e conduzem sem cuidado nem competência. Fizeram dos taxistas um grupo de cavalheiros.
7. Ainda nos transportes: a CP reduziu em 40% o número de comboios na linha de Cascais nos últimos 25 anos. E não se pode acabar com a CP para voltar a haver comboios?
8. Portugal ardeu. As TVs mostraram tudo. Os políticos garantem que se fossem eles a mandar seria tudo diferente. Para o ano vai ser tudo igual.
9. Devo ter-me distraído e passei umas semanas sem mencionar os perigos de Moscovo: agora um ex-ministro demitido por Putin, Roman Starovoit, apareceu morto. Ter-se-á suicidado com um tiro – na antiga URSS suicidavam-se com vários tiros. Confesso surpresa: esperava que tivesse caído de uma varanda.
10. A guerra da Ucrânia que Trump acabaria num ápice ainda não acabou. O presidente americano descobriu este Verão que Putin “está sempre a contar tretas”. Encontrou-se com ele no Alasca. Alguém devia explicar ao senhor Trump a diferença entre paz e capitulação. É importante para quem deseja tanto ganhar o prémio da paz.
11. Para quem continua a achar que a guerra no Médio Oriente tem bons e maus, duas leituras esclarecedoras: (1) a peça da revista Economist sobre os motivos pelos quais Israel tem de assumir as suas responsabilidades e (2) o capítulo 10 de Worse than War, de Daniel Goldhagen. Escrito em 2009, explica porque a ideologia genocida e fascista do Hamas teria de resultar no que resultou. Numa história em que os inocentes são as pessoas comuns, a solução dos dois estados obriga ao reconhecimento de Israel. O Irão vai deixar?
12. Um caminho para o suicídio nacional: 42% dos alunos não conseguiram positiva a matemática. Para o ano haverá as greves escolares do costume.
13. Um pensamento: “A escola tem de ser democrática, não tem de impingir a doutrina democrática” (António Barreto)
14. Gostei de ver Pote de Ouro, o filme de Julian Temple sobre Shane MacGowan, dos Pogues.
15. Na música descobrimos uma arca do tesouro segundo Bruce Springsteen (Tracks II: The lost albums). E há um novo David Sylvian, Vermillion Hours, com Melaine Dalibert. E há a banda sonora de The Bear.
