A tecnologia tem, nas suas mais variadas expressões e em momentos marcantes da história da Humanidade, desempenhado um papel central no que concerne à melhoria da condição humana. Hoje, entre maior ou menor otimismo, parece existir uma perceção generalizada de estarmos a vivenciar um dos mais profundos e abrangentes processos de descoberta e convergência de […]
A tecnologia tem, nas suas mais variadas expressões e em momentos marcantes da história da Humanidade, desempenhado um papel central no que concerne à melhoria da condição humana. Hoje, entre maior ou menor otimismo, parece existir uma perceção generalizada de estarmos a vivenciar um dos mais profundos e abrangentes processos de descoberta e convergência de tecnologias que encerram em si a promessa de alterar profundamente as dinâmicas que governam toda a nossa existência, contribuindo de forma decisiva para moldar o modelo de sociedade que se materializará no decorrer das próximas décadas.
Uma das inovações tecnológicas que nos últimos anos se tornou um fenómeno verdadeiramente global, capturando a atenção de entusiastas, do público em geral e das mais variadas instituições, dando origem a um crescente debate, são as criptomoedas – ou moedas digitais. Antes de avançarmos convém termos em mente que uma criptomoeda é, na sua essência, uma forma de “token” digital, ou seja, uma unidade de valor a ser usada da forma que a pessoa ou entidade que o idealiza e o desenvolve decida (pode conceder um direito, remunerar um trabalho, transferir dados, servir como porta de entrada para serviços extra, etc.). Existem, pois, várias tipologias de tokens para além das criptomoedas.
A inovação das criptomoedas materializou-se pela primeira vez em 2009, aquando da criação, por Satoshi Nakamoto, da Bitcoin, a primeira moeda digital cujo modelo de funcionamento ultrapassou os obstáculos à descentralização que tinham conduzido ao fracasso de tentativas similares nas décadas de 80 e 90 – a mais famosa das quais preconizada por Nick Szabo, um cientista consagrado pela sua pesquisa na área dos contratos digitais (smart contracts) e um dos mais reputados e conceituados pioneiros da tecnologia blockchain. É precisamente graças a esta tecnologia, que se corporiza enquanto espinha dorsal das criptomoedas, que é possível a existência de transações diretamente entre duas pessoas (peer-to-peer) sem necessidade de intervenção de qualquer intermediário para garantir a segurança e confiabilidade das mesmas.
Tal como sucedeu aquando do surgimento da Internet (recorrentemente apelidada de “moda passageira”), o aparecimento das criptomoedas deu azo a todo o tipo de especulação e exagero. Contudo, à medida que a poeira desses primeiros anos vai assentando e se começa a desenhar o seu enquadramento regulatório, começamos a ter um vislumbre das suas verdadeiras potencialidades, as quais tenderão a materializar-se no decorrer dos anos vindouros. Assim, assistiremos à afirmação das “Finanças Descentralizadas” (DeFi), que consiste na prestação de vários serviços financeiros digitais emersos em modelos de negócio profundamente inovadores e sem necessidade de intervenção dos tradicionais intermediários, o que traz consigo uma maior rapidez das transações, um grau mais elevado de privacidade e custos mais reduzidos. Uma outra área onde as criptomoedas acabarão por se tornar estruturais é no domínio das moedas fiduciárias controladas por estados e bancos centrais.
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Pode ler o artigo na íntegra na edição de verão da revista Líder.

Por Pedro Lima, Docente na Católica Porto Business School

