Descodificando o Czar A invasão da Ucrânia é uma tragédia com dono: o Presidente da Rússia. Perante o seu comportamento, sugeriu a minha colega Catarina Barosa que escrevesse um texto sobre que tipo de líder é Putin. Eis uma tentativa de resposta, com duas possibilidades, ambas já aventadas por outros, nomeadamente por Gideon Rachman no […]
Descodificando o Czar
A invasão da Ucrânia é uma tragédia com dono: o Presidente da Rússia. Perante o seu comportamento, sugeriu a minha colega Catarina Barosa que escrevesse um texto sobre que tipo de líder é Putin. Eis uma tentativa de resposta, com duas possibilidades, ambas já aventadas por outros, nomeadamente por Gideon Rachman no Financial Times.
Numa primeira interpretação, Putin é um decisor racional com um objetivo: corrigir o fim da URSS, que ele considera um erro trágico. Para isso não hesita em recorrer à força, violar a lei internacional e provocar um banho de sangue. Os seus argumentos falaciosos, envolvendo nazis e genocídios, são parte de uma narrativa apenas aceite pelos apaniguados do costume, supostos anti-imperialistas que vão mostrando que o seu anti-imperialismo é, afinal, seletivo. Os defensores desta teoria culpam pela invasão todos menos os invasores.
Numa segunda interpretação, Putin perdeu a noção da realidade e, imbuído de uma noção messiânica de si mesmo, interpreta o papel que o conduzirá ao encontro com a História. Esta interpretação, em inglês a teoria Vlad the Mad da diplomacia, apresenta um Putin crescentemente paranoico e rodeado por um grupo de nacionalistas radicais imbuídos de uma missão superior: a restauração do Império. Os ensaios filosóficos que o ditador russo tem produzido sugerem que esta disposição messiânica se tem vindo a acentuar.
Independentemente da teoria, se ao longo dos anos Putin foi cruzando linhas vermelhas, agora traçou mais uma: vermelha de sangue.
