Escreveu Henrique Monteiro, na sua página no Expresso, sobre a emergência de duas profissões que frequentemente se sobrepõem: os ativistas e os indignados. As redes sociais terão contribuído para o respetivo crescimento. Trata-se de uma tendência perigosa: da imprensa tradicional esperava-se moderação em tempos conturbados e desafio em tempos de modorra. Esse papel de gestão […]
Escreveu Henrique Monteiro, na sua página no Expresso, sobre a emergência de duas profissões que frequentemente se sobrepõem: os ativistas e os indignados. As redes sociais terão contribuído para o respetivo crescimento. Trata-se de uma tendência perigosa: da imprensa tradicional esperava-se moderação em tempos conturbados e desafio em tempos de modorra. Esse papel de gestão da ‘temperatura social’ esgotou-se; as redes sociais vão sempre pela lógica da agitação. Como os jornais replicam esta nova lógica, eles mesmos se tornaram fonte de agitação.
O resultado é que a política é hoje um campo de polarização agitada. Tudo serve para fazer emergir grupos de ativistas indignados. A política tornou-se um terreno onde se esgrimem ressentimentos. Sendo fácil arranjar ressentimentos, passamos a vida a re-sentir o que nos atormenta, por vezes na fronteira do fanatismo. Ainda esta semana os cartazes dos professores combinaram motivos, sentimentos e ressentimentos para agitar a política das emoções básicas.
Perante este cenário, esperemos que um dia chegue algum Dom Sebastião da política que traga uma receita de esperança perante tanto azedume. Alguém que, em vez de querer que nos martirizemos com saudade dos tempos em que havia ordem e respeito ou com a expiação de todos os pecados dos nossos antepassados, nos traga ideias sobre como construir um futuro melhor. Pode parecer difícil mas foi isto que fez de Obama um exemplo. Não foi assim há tanto tempo. Haja esperança.


